XXV Barómetro Executive Digest: Paulo Teixeira, Pfizer Portugal

A análise de Paulo Teixeira, Director-geral da Pfizer Portugal

Apesar do prolongamento da guerra na Ucrânia, de uma subida galopante da taxa de inflação e da forte subida das taxas de juro por parte da Fed, agora também iniciada pelo BCE, persiste um grau considerável de optimismo por parte dos empresários no aumento do volume de negócios das empresas, com 81% a esperar um crescimento da facturação e 52% antecipando um crescimento a dois dígitos. O alívio do garrote económico imposto pela pandemia e o crescimento recente da economia e da actividade empresarial contribuirão certamente para este sentimento positivo. Mas as incertezas avolumam-se e isso começa também a ser sentido nas perspectivas futuras. Para já, a Comissão Europeia propõe instrumentos que visam amortecer o impacto assimétrico da subida das taxas de juro sobre as economias mais fortemente endividadas do sul da Europa, prevenindo o nervosismo dos mercados. A inflação tenderá a asfixiar o rendimento disponível das famílias, mas a almofada financeira criada durante o período pandémico retarda a contração do consumo. Na Europa central, as consequências da redução – ou mesmo da interrupção – do abastecimento de gás Russo podem fazer sentir-se mais à frente, na entrada do Inverno, e não são ainda claras as repercussões que podem ter na produção industrial europeia. Um possível constrangimento no abastecimento de gás é factor de preocupação grave para a indústria farmacêutica. A subida generalizada dos custos de produção e logísticos numa cadeia de distribuição global muito afectada ainda durante a pandemia afecta já segmentos importantes deste sector, o qual não pode fazer reflectir livremente no consumidor esses aumentos de custos. Compreende-se por este conjunto de razões um optimismo mais moderado por parte dos empresários que apontam (39%) o aumento da rentabilidade dos seus negócios como o principal desafio para o próximo semestre. Uma palavra para os principais desafios que se prefiguram aos empresários: a atracção e retenção de talento, que apesar de um crescimento muito significativo das qualificações continua a ser um factor limitante, também fruto dos baixos rendimentos do trabalho em Portugal e da globalização do mercado laboral, especialmente em áreas tecnológicas. Finalmente os custos de contexto, talvez os mesmos de sempre, uma fiscalidade pesada, um excessivo peso regulamentar, a morosidade de muitos serviços do Estado, que continuam a pesar na atracção de investimento estrangeiro, nomeadamente em sectores de alto valor acrescentado.

Testemunho publicado na edição de Agosto (nº. 197) da Executive Digest, no âmbito da XXV edição do seu Barómetro.




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