XXIV Barómetro Executive Digest: Nuno Pinto Magalhães, Sociedade Central de Cervejas

A análise de Nuno Pinto Magalhães, Chairman da Sociedade Central de Cervejas

A leitura das respostas do painel do 24.º barómetro reflecte mais uma vez, aquilo que aprendemos com a pandemia: a necessidade de planeamento em diversos cenários simultâneos, agindo com a máxima cautela, dada a incerteza das previsões económicas e a volatilidade conjuntural, e fazendo permanentes pontos de situação e realinhamento de gestão em função da evolução da realidade. O reforço da flexibilidade e rapidez de alteração de estratégia, a par com a diversificação das fontes de abastecimento, e a constante necessidade de captação e retenção de talentos são factores determinantes, para a manutenção da saúde das empresas. Em termos de evolução da economia nacional e sentimento de confiança para os próximos meses, a opinião maioritária é negativa (51%). No entanto e decorrendo certamente da notória abertura após o período pandémico, existe expectativa por parte da maioria (64%) de um crescimento percentual das vendas no primeiro semestre de 2022 face ao período homólogo de 2021, sendo que apenas 6%, questionados sobre este mesmo tema, referiram esperar uma quebra. Necessário ainda ter em conta que um crescimento de vendas não significará no actual contexto, correspondente aumento de rentabilidade, considerando factores como o aumento dos custos operacionais (matérias-primas, energia, mão-de-obra e transportes). Ainda assim, 64% do painel perspectiva neste primeiro semestre, um aumento superior a 10%. Apesar disso e, de uma forma geral, não será ainda em 2022 que as empresas conseguirão regressar ao nível em que se encontravam economicamente no período pré-pandemia. No âmbito da sustentabilidade ambiental, são as questões da energia que continuam a dominar, quer na necessidade de implementação de melhorias ao nível de eficiência, quer da utilização de maior percentagem de energias renováveis, temas actualmente preponderantes na agenda europeia, nomeadamente pela dependência de fornecimentos da Rússia, que felizmente não é o caso nacional. Quando todos pensávamos que a pandemia estava na sua fase final e iriamos regressar a uma certa normalidade, surge a guerra na Ucrânia, com todas as suas consequências, aquelas que já sentimos, aumento de custos, inflação, aumento das taxas de juros, ataques cibernéticos, e porventura outras que iremos ainda sentir como recessão económica global… O painel refere ainda quais são, na sua opinião, os maiores riscos para Portugal em termos de indicadores económicos. Mais de 50% referem subida do custo de financiamento, logo seguido do risco da redução do consumo privado (34%) e redução da produtividade (31%). Em termos de OGE 2022 as prioridades que o barómetro destaca maioritariamente 57% é apoiar a recuperação das empresas, leia-se do sector privado, prioridade essa que o PRR ainda não traduziu! A imprevisibilidade veio para ficar e os desafios de agilidade e flexibilidade das organizações, para responder ao mercado/consumidores, perante estas circunstâncias e novas tendências, será determinante, tendo presente e agora mais do que nunca, que as soft skills dos gestores são mandatárias!

Testemunho publicado na edição de Junho (nº. 195) da Executive Digest, no âmbito da XXIV edição do seu Barómetro.



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