XXIV Barómetro Executive Digest: António Castanho, CA Vida

A análise de António Castanho, Presidente da CA Vida

O resultado obtido é, de facto, expressivo do que divide e condiciona o país. Uma metade positivista, confiante no espírito luso e uma outra, preocupada, eventualmente consciente das dificuldades que nos cercam. Abordar a evolução da economia nacional aos dias de hoje no actual contexto internacional tem que se realizar sob um atento e abrangente olhar e aplicar, de seguida, algumas doses de prudência. Para além do recente anúncio da comissão europeia quanto a Portugal a crescer acima da média da EU, vem a este propósito a evolução da taxa de inflação. Os bancos centrais e muitas casas de research durante muito tempo não quiseram ler os sinais que estavam nos números e construíram uma narrativa de inflação temporária, talvez por receio de poderem provocar um hard landing das economias e mercados financeiros. Até pode ter sido a melhor decisão, mas levou-nos a crer de que não iria existir sofrimento. É claro que pelo caminho, a Rússia, talvez ciente da sensível sustentabilidade do nosso ser, tenha aproveitado a oportunidade para carregar na ferida. Com a inflação a ultrapassar os 7% em Abril, com um poder de compra suportado numa classe média refém da política fiscal, mesmo com o desemprego a abeirar os 6% e um Portugal embalado pelas previsões da comissão, sou dos que consideram que devemos estar confiantes, por acto de fé, mas pouco. Estaria mais confiante se o país tivesse abordado de forma mais credível a gestão do PRR e tivesse envolvido a sociedade civil num plano que fosse estruturante e suportado em evidências mensuráveis quanto às metas e resultados obtidos. O PRR continha em si todo o potencial como base agregadora para levar a economia portuguesa a evoluir estruturalmente, a transformar-se e a reduzir a sua dependência em relação ao sector do turismo e dos baixos salários. Se assim tivesse sido, estaria decididamente do lado dos 49%.

Testemunho publicado na edição de Junho (nº. 195) da Executive Digest, no âmbito da XXIV edição do seu Barómetro.



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