XXIII Barómetro Executive Digest: Vitor Ribeirinho, KPMG

A análise de Vitor Ribeirinho, CEO / Chairman da KPMG

Face ao optimismo demonstrado no último barómetro, os indicadores apresentados neste trazem uma visão bastante diferente. Desde logo, a expectativa de que o crescimento da economia mundial não irá ultrapassar os 4% (com 50% a considerarem que será inferior a 3%). De igual modo, o cenário de conflito entre a Rússia e Ucrânia e as consequências, acelerando as pressões inflacionistas, criando uma maior disrupção das cadeias de abastecimento e contribuindo para um aumento relevante do custo da energia e para uma incerteza geopolítica bastante significativa, traçam um cenário diferente do projectado e que deveremos ponderar e gerir de forma cautelosa. A maioria dos inquiridos assume que a subida de taxas de juro e da inflação tem um impacto relevante nos planos de investimento (74%), o que acompanhado do efeito do custo da energia (63% consideram o impacto muito significativo) pode ser crítico no desempenho das empresas em 2023. Consideram, igualmente, que os sectores mais afectados por esta situação serão energia, agro-alimentar e financeiro. Apesar disso, as visões optimistas mantêm-se, a maioria continua a acreditar que entre o 2.º semestre de 2022 e 2023 se irão atingir os níveis de actividade pré-pandemia e só 39% consideram que o conflito terá um efeito relevante para o volume de exportações. Esta visão permite-nos olhar para o resto do ano com cautela, mas com confiança. Por último, destacar o foco que os inquiridos deram sobre as áreas em que irão concentrar as intervenções em 2022, viradas para a inovação e o cliente, e para os processos destacando apenas pela negativa o menor foco em áreas de formação e desenvolvimento, de competências técnicas e de liderança. Os desafios vão continuar a crescer e a capacidade das organizações serem ágeis e responderem às necessidades do mercado, adaptando-se às novas circunstâncias, será crítica num mundo em mudança e em que a necessidade crescente de talento e inovação, para responder aos novos desafios, obriga os líderes a reinventarem-se e anteciparem o mercado.

Testemunho publicado na edição de Abril (nº. 193) da Executive Digest, no âmbito da XXIII edição do seu Barómetro.



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