XXIII Barómetro Executive Digest: José Theotónio, Grupo Pestana

A análise de José Theotónio, CEO do Grupo Pestana

Neste barómetro duas questões merecem a particular atenção. Por um lado, 63% praticamente duas em cada três empresas consideram significativo ou muito significativo o impacto dos custos das energias na actividade empresarial e, por outro lado, 74%, ou seja, três em cada quatro empresas, afirmam que a subida das taxas de juro e da inflação influenciarão os planos de investimento nas empresas que gerem. Considerando que estamos a falar de factos incontornáveis para 2022, que implicam aumento de custos e/ou redução de investimentos empresariais não se percebe como continuamos a pensar que a economia portuguesa poderá crescer este ano com algum significado. Talvez fosse a altura de repensar os principais planos de política económica. O PRR ser mais empresarial e menos estatizante. A política fiscal ser mais amiga e incentivadora do investimento e da capitalização empresarial e não um instrumento de nacionalização dos resultados obtidos se forem positivos. O mercado de trabalho, dado que a taxa de desemprego deixou de ser um problema, ser mais flexível, o que podia permitir o aumento dos salários e a mobilidade entre sectores económicos e entre regiões que a economia portuguesa tanto necessita. Ou talvez não, e o que precisamos é de continuar a acreditar que no fim “vai ficar tudo bem…”.

Testemunho publicado na edição de Abril (nº. 193) da Executive Digest, no âmbito da XXIII edição do seu Barómetro.



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