XXI Barómetro Executive Digest: Nelson Pires, Jaba Recordati

A análise de Nelson Pires, General Manager da Jaba Recordati

Executive Digest

A análise de Nelson Pires, General Manager da Jaba Recordati

Neste momento já todos os empresários e gestores prepararam os seus planos de negócio com cenários macro e microeconómicos que certamente são reflectidos no barómetro. Em consequência, as suas expectativas e decisões de gestão. Uma primeira conclusão, que aparentemente é positiva, reflecte maioritariamente uma expectativa de crescimento em 2021 vs 2020 (de 2,5% a 10%). Mas é um crescimento muito moderado e certamente abaixo dos valores de 2019, quando não havia COVID-19 nem pandemia. Ou seja não iremos conseguir ainda recuperar em 2022 tudo o que perdemos nestes dois anos. Mas pior ainda é que há cerca de um terço dos participantes (32%) que refere que não recuperou nada neste ano. Aliás confirmado pela opinião de todos, que o PIB não crescerá mais de 6% em 2022. Outro ponto importante e quase transversal é a aposta na digitalização, embora julgo que a maioria de nós ainda não sabe como criar um modelo de negócio assente nesta estratégia e daí retirar resultados positivos que “reconstruam” as empresas. Detecto também neste barómetro um grande paradoxo: o que os participantes pretendem maioritariamente é a flexibilização da lei laboral, num momento em que os decisores políticos parecem autistas, pois pretendem tornar ainda mais rígidas e esclerosadas as leis laborais. Em suma, devemos olhar para o próximo ano com prudência e como um ano de risco, com instabilidade política, risco de uma nova vaga da pandemia, aumento da dívida pública, aumento da inflação, risco de aumento da taxa de juros, altos custos energéticos, leis laborais mais rígidas, fiscalidade elevada, necessidade de elevado investimento na tecnologia digital, dificuldade de retenção do talento, um aumento ilusório do poder de compra com o um aumento do salário mínimo, crédito mal parado com o final das moratórias e provavelmente um aumento do desemprego com o fim do lay-off. Portanto julgo que as expectativas reflectem bem que o próximo ano serão um “Question Mark”!

Testemunho publicado na edição de Dezembro (nº. 189) da Executive Digest, no âmbito da XXI edição do seu Barómetro.

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