XX Barómetro Executive Digest: Nuno Pinto Magalhães, Sociedade Central de Cervejas e Bebidas

A análise de Nuno Pinto Magalhães, Chairman da Sociedade Central de Cervejas e Bebidas

Há três grandes temas: a) Expectativas da performance e das intenções de negócio para o último trimestre do ano corrente; b) A pandemia e os seus efeitos; c) Ameaças e oportunidades conjunturais. Concluo o seguinte: Quanto ao tema A verifica-se que existe um certo optimismo de crescimento e de favorabilidade para o último trimestre deste ano, face ao período homólogo de 2020. Assim, só 3% referem que não haverá crescimento vs 56% que afirmam que acontecerá até 10%. Também se perspectiva uma manutenção de investimento para este período (49%) ou mesmo um aumento (40%), sendo de notar que só 5% prevêem uma diminuição. Nota: só faz sentido referir percentual se se disser de quanto %. No que respeita às intervenções internas que melhor se aplicam a cada organização, nesta última fase do ano, as preferências (44%) apontam para a Inovação – investir em novos conceitos/produtos, e os restantes (36%) para Pessoas – qualificar os Recursos Humanos e as suas unidades produtivas. Quanto ao tema B constata-se que os planos de desenvolvimento de negócios pós-COVID já estão feitos ou em vias de implementação (64%) ou encontram-se em preparação (18%). Serão planos baseados na realidade em que vivemos e fruto do que aprendemos, embora também planos muito flexíveis, considerando que este caminho ainda não chegou ao fim. Confirma-se que a tecnologia foi determinante a ajudar as empresas a adaptarem-se e a superarem a pandemia, mantendo a força de trabalho conectada (85%), tendo ainda impulsionado o desenvolvimento de novos produtos e serviços, a segunda mais percepcionada (31%). Quanto ao tema C, com três questões: risco de interrupção de fornecimento de matérias primas – 53% tem receio que tal possa acontecer, sendo que já se está a verificar um aumento de preço das matérias-primas e utilities, decorrente da disponibilidade da oferta face à procura, que se irá reflectir nos preços finais ao consumidor. Limitação das exportações – 29% considera ser uma possibilidade, ficando a maioria do lado do que parece ser a realidade, e que segundo os dados da AICEP, as exportações cresceram 9,5% no primeiro semestre do ano e a tendência continuou positiva no terceiro, e com níveis já superiores aos anteriores à pandemia. Nível de confiança das medidas existentes de apoio para combater a crise – 67% estão pouco ou nada confiantes, mas a dimensão deste apoio ao abrigo do PRR, e sem entrar na discussão das quotas público/privado, vai impactar a nossa economia nos próximos anos.

Testemunho publicado na edição de Outubro (nº. 187) da Executive Digest, no âmbito da XX edição do seu Barómetro.



Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.