A análise de José Theotónio, CEO do Grupo Pestana
Apesar das dezenas (senão centenas), de anúncios sobre as medidas de apoio à economia, passados praticamente ano e meio da pandemia ter surgido, dois terços dos empresários consideram que os apoios merecem pouca ou nenhuma confiança. É bem verdade que as sucessivas medidas de apoio ao emprego, desde o layoff simplificado até ao apoio extraordinário à retoma, e as moratórias foram medidas muito importantes para quem a elas conseguiu aceder para, por um lado, manter o emprego, e por outro, para preservar a liquidez mínima necessária à sobrevivência das empresas. No entanto, o sistema de acesso e a libertação de fundos apesar do esforço quer do lado empresarial quer dos funcionários do estado responsáveis pelo processo burocrático, foi lento ou impediu mesmo o acesso a esses apoios. Assim, muitas das empresas, em especial, as de menor dimensão e com menor estrutura administrativa e contabilística não conseguiram aceder aos apoios existentes ou só os obtiveram em parte e muito depois das reais necessidades. Outro aspecto importante seria comparar os apoios disponibilizados em Portugal em cotejo com o que outras economias mais fortes disponibilizaram. Países houve onde se financiou custos fixos para todas as empresas e sem limite do programa Apoiar, se financiaram margens perdidas, e se baixaram de forma muito significativa impostos e taxas equivalentes aos nossos IVA, IMI ou TSU. Agora que vamos sair da crise, voltaremos todos a competir uns com os outros, designadamente nos sectores mais globalizados, mas há empresas de alguns países, dentro do mercado comum, que estarão em muito melhor situação do que as portuguesas, e desta vez não é por falta de capacidade de gestão (como os empresários portugueses muitas vezes são acusados) mas por terem tido medidas para ultrapassar a crise pandémica melhores do que as suas concorrentes portuguesas.
Testemunho publicado na edição de Outubro (nº. 187) da Executive Digest, no âmbito da XX edição do seu Barómetro.














