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XVIII Conferência Executive Digest: Complexidade, gestão de riscos e estratégia entre os caminhos para Portugal

O mote foi dado logo à abertura dos trabalhos da XVIII Conferência Executive Digest. Há que reflectir sobre os desafios do momento e preparar a acção. As palavras foram de Luís Miguel Ribeiro, presidente da AEP, que acredita que «o que aí vem vai ser muito exigente».

Com o tema “10 ideias para Portugal”, decorreu ontem, no Auditório do Edifício de Serviços da AEP, a XVIII Conferência Executive Digest. Ana Côrte-Real, associate dean da Católica Porto Business School, sublinhou que no actual contexto «há que retomar a normalidade» e que «a organização deste evento é um pequeno passo nesse sentido». A profissional opinou que o desafio de hoje é viver a complexidade com foco na simplificação, viver confortáveis sem estar confortáveis.

Ao longo de toda a manhã foram apresentadas 10 ideias por profissionais de diferentes sectores de actividade que poderão ajudar ao desenvolvimento e crescimento de Portugal.

1. Haver mais colaboração na educação entre áreas de saber, a sociedade e os seus problemas (Isabel Braga da Cruz, Universidade Católica Portuguesa)

2. Colocar o País como pioneiro na naturalidade carbónica (Paulo Américo Oliveira, Amorim Florestal)

3. Requalificar os recursos humanos (Pedro Duarte, Microsoft)

4. Encontrar nova maneira de comunicar Portugal como um todo e não região a região como estava a ser feito (Rodrigo Pinto Barros, APOHRT)

5. Sector financeiro deve encontrar o seu lugar e cumprir a sua função, voltando às origens (Mário Carvalho Fernandes, Banco Carregosa)

6. Planear de forma estratégica os recursos humanos envolvendo Estado, escolas, grandes e pequenas empresas e os trabalhadores (Isabel Barros, Sonae MC)

7. Vender confiança em momentos adversos (Hugo Ribeiro da Silva, Porsche)

8. Sair do básico, ir para o mais complexo e ser diferente (Luís Avides Moreira, Ramirez & Ca)

9. Vender cultura e produtos (além do turismo) sob o conceito da “Rica Vida” (Luís Martins, Sogrape)

10. Alargar o despertar digital, trazê-lo para o dia-a-dia e reduzir o desconforto e a resistência que parte das pessoas ainda tem (Maria João Carioca, CGD)

Há quem prefira morrer sozinho

Foram duas as mesas-redondas que durante a manhã discutiram as ideias para o País e que procuraram trazer mais contributos para a definição de caminhos que poderão ajudar ao desenvolvimento e crescimento de Portugal.

Na primeira, com moderação de M.ª João Vieira Pinto, directora de redacção da Executive Digest,  encontraram-se Álvaro Nascimento (professor da Católica Porto Business School), Joana Almeida (directora-geral do Sheraton Porto Hotel & Spa) e Paulo Vaz (administrador da AEP). Álvaro Nascimento centrou a sua argumentação na ideia de que há que complexificar Portugal, não complexando o País. «Há que ser capaz de saber gerir a complexidade. Temos de viver a simplicidade num ambiente ultra-complexo», defendeu.

O sector do turismo está muito ligado à máquina, garantiu, por seu lado, Joana Almeida. E há a agravante deste sector estar ligado a muitos outros. Daí que a profissional seja defensora do trabalho da Marca Portugal que, diz, «nunca foi trabalhada como um todo» agregador de todos os sectores. Um trabalho que na sua opinião deveria ficar nas mãos de um director de Marketing para Portugal.

Uma opinião não partilhada totalmente por Paulo Vaz que acredita que trabalhar sectores e a sua excelência ajudou a construir a imagem de Portugal. Dá os exemplos dos sectores têxtil, do calçado, do turismo e do mobiliário. «Muito do trabalho para criar a marca foi feito e não está perdido. Não se apaga de um momento para o outro. Temos de focar nas oportunidades (gastar a energia nisso) e não carpir as mágoas.» Mas nem tudo está feito e o trabalho em rede não é abraçado de igual forma por todos. «Alguns preferiam morrer sozinhos a juntar-se. Mas não vai haver outra forma de sobreviverem se não colaborarem», garante.

E Álvaro Nascimento vai mais longe dizendo que nunca foi tão importante como hoje o carácter associativo de pequenos produtores porque ajuda a chegar às pessoas ou a simplificar processos. «As peças podem ser frágeis, mas fazem parte de um sistema mais complexo.»

Conhecer os riscos e geri-los

Na segunda mesa-redonda estiveram à conversa Filipe Aguilar, Business Operations director da Farfetch, e Maria João Carioca, administradora da CGD, com moderação de António Sarmento, jornalista da Executive Digest.

A forma como as empresas encaram cenários de mudança foi o mote lançado aos dois convidados. E se a Farfetch lida, desde a primeira hora, com ambientes digitais e com grandes velocidades na adopção de novas ferramentas, já a Caixa tem uma atitude mais ponderada. Numa primeira fase há que ter consciência de que algumas modificações vêm para ficar. «Nas empresas o primeiro passo é aceitar a transformação e o desconforto. Perceber onde é que mudar pode ser mais útil e é conveniente começar por esses. Há uma noção de risco que convém ter presente. Quando se opera em contexto estável o risco está contido. Quando damos passos de modificação de comportamentos há risco e há que geri-lo (não evitá-lo)», explana Maria João Carioca.

No caso de empresas com o histórico como o da Farfetch, que começam como startups pelas mãos de empreendedores, a palavra risco parece fazer parte do ADN. Mas só até atingirem determinados patamares. Depois de atraídos investidores há que ser mais cautelosos e medir o risco. De qualquer forma, comenta Filipe Aguilar, a Farfetch tem apetência para testar conceitos. «Mas são riscos calculados.»

Para fazer o seu caminho com riscos também eles mais calculados, a Caixa tem tido o apoio de fintechs. «Temos a noção de que podem ser relações muito produtivas se soubermos o que queremos fazer com elas. As empresas podem construir esse caminho sozinhas ou connosco numa lógica B2B.»

Uma lógica, de resto, em tudo semelhante à que a Farfetch aplica no seu programa de aceleração de empresas em que algumas startups acabam a trabalhar com a empresa portuguesa, ganhando dimensão. Ou seja, voltamos aos sistemas complexos.

Texto de Maria João Lima

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