A análise de Jorge Rebelo de Almeida, Presidente do Grupo Vila Galé
Finalmente as reformas do Estado voltam à agenda política e desta feita com o empenho do próprio Primeiro Ministro, a colocar a fasquia elevada com o grande desafio do Governo. E tem razão. Um dos grandes obstáculos ao nosso desenvolvimento e crescimento económico resulta de uma Administração Pública pesada, burocrática, ineficaz, onde não se valoriza nem incentiva o mérito, onde se complica tudo, onde o lema é reclamar da falta de pessoal e de meios, onde não se dignificam as chefias e onde afinal reside uma das razões para a baixa produtividade que caracteriza a nossa economia e que sobrevive à custa de uns carolas que não a deixam cair de vez. É preciso trazer de volta ao sector produtivo a massa amorfa de gente, que ocupa espaço nos departamentos estatais com um custo brutal. É preciso criar um sector público vibrante, bem remunerado com prémios, onde o mérito seja reconhecido e compense. É difícil? É! Demora tempo? Demora! Mas tem de ser feito. E já! Com incentivos, com prémios, com compensações, com melhoria de vida, com novas carreiras. É preciso retirar do Estado muitas funções que são por natureza do sector privado. Reforçar as parcerias público privadas que demonstraram melhores resultados. Realizar fusões. Extinguir serviços redundantes. Simplificar, corrigir e após isso digitalizar. Assumir a confiança nos cidadãos e nas empresas, penalizando com severidade os prevaricadores de forma exemplar. A nível do Estado, a grande reforma é também a reorganização administrativa do País. Menos Câmaras e melhores Câmaras, com mais poderes descentralizados. Mas o sector privado também precisa de mudanças. “Small is beautiful” é um conceito interessante, mas não aplicável necessariamente a estimular as PME ou as micro empresas. Estas foram incentivadas durante demasiado tempo em contraciclo com as reais necessidades do País. Se é certo que em tempo de taxas elevadas de desemprego elas tinham o mérito de ocupar mão-de-obra disponível, é igualmente certo que se dedicavam a negócios de pouco valor acrescentado, de baixa rentabilidade, sobreviviam à custa de salários baixos, pagavam poucos impostos, não tinham capacidade para se internacionalizar e/ ou exportar, etc. Deviam ter sido incentivadas a crescerem organicamente ou por fusão ou por associação ou outro qualquer modelo para serem mais fortes, mais competitivas, mais ambiciosas, mais produtivas e afinal, mais úteis ao País. Hoje, com a falta de mão-de-obra existente seria bom que se verificasse um movimento de fusões de empresas a crescerem por várias formas e a apostarem em sectores de maior valor acrescentado. No caso do turismo, o desígnio é também o de apostar em crescer mais em valor do que em quantidade. Longa vida ao Ministro com a difícil tarefa de levar a cabo esta missão.
Testemunho publicado na edição de Outubro (nº. 235) da Executive Digest, no âmbito da XLIV edição do seu Barómetro.




