Xi Jinping e Putin alargam “parceria sem limites”: cooperação económica é prioridade

Visita do presidente chinês, Xi Jinping, a Moscovo, para reunir-se com Vladimir Putin visa consolidar os laços comerciais entre Pequim e o Kremlin

Francisco Laranjeira

A visita do presidente chinês, Xi Jinping, a Moscovo, para reunir-se com Vladimir Putin visa consolidar os laços comerciais entre Pequim e o Kremlin. O plano de paz, de 12 anos, para o conflito na Ucrânia será discutido entre os dois líderes mas sem grande hipóteses de sucesso, pelo que é a cooperação económica entre os dois países que terá maior probabilidade de atingir bom porto.

Escolha a Executive Digest como fonte preferida no Google Escolher ›

“A viagem de Xi à Rússia é principalmente para manter relações sino-russas mais próximas na era pós-pandémica, quando ambas as potências estão a passar por momentos difíceis”, apontou Edward Chan, do Centro Australiano sobre a China no Mundo, em declarações à ‘Al Jazeera’. “É justo esperar que a China e a Rússia tenham uma ligação mais estreita económica e diplomaticamente”, acrescentou.

E em que áreas pode haver maior cooperação?

Energia russa

A China emergiu como um grande comprador de petróleo e gás russo com grandes descontos desde a introdução das sanções ocidentais. Com 1,94 milhões de barris por dia, a Rússia superou a Arábia Saudita como o principal fornecedor de petróleo nos primeiros dois meses de 2023. As exportações de petróleo bruto da Rússia para a China aumentaram 8% em 2022, para 1,72 milhões de barris por dia.

Continue a ler após a publicidade
Continue a ler após a publicidade

Já as importações da China de gás russo e gás natural liquefeito (GNL), em 2022, saltaram 2,6 vezes e 2,4 vezes, respetivamente. As importações chinesas de carvão russo aumentaram 20%, para 68,06 milhões de toneladas.

O aumento das vendas de energia forneceu à economia da Rússi uma tábua de salvação muito necessária diante das sanções. Além da China, Índia e Turquia tornaram-se igualmente grandes compradores do petróleo russo.

Importações de produtos chineses

Pouco antes da invasão russa da Ucrânia, a China e a Rússia anunciaram uma “parceria sem limites”, muito do qual manifestou-se no comércio entre os dois países. A Rússia aumentou as importações de produtos chineses, incluindo máquinas, eletrónicos, metais básicos, veículos, navios e aviões.

As exportações da China para a Rússia atingiram 76,12 biliões de dólares em 2022, superior aos 67,57 registados em 2021, segundo dados da alfândega chinesa. O êxodo de marcas ocidentais da Rússia tem sido uma bênção para as indústrias chinesas, em particular a automóvel, com as chineas Geely Automobile Holdings, Chery Automobile e Great Wall Motor a conquistar 17% do mercado russo em 2022.

Continue a ler após a publicidade

No geral, o comércio bilateral entre os dois países cresceu quase um terço no ano passado. No entanto, não se pode dizer que haja equilíbrio nas suas relações económicas. Embora a China seja o parceiro económico mais importante da Rússia, é ainda longe do comércio estabelecido com a Associação das Nações do Sudeste Asiático (947 biliões de dólares), a União Europeia (821 biliões) e os Estados Unidos (734 biliões), de acordo com dados do Governo.

‘De-dollarisation’ da Rússia

A economia russa viu-se prejudicada nos primeiros dias da invasão da Ucrânia por medidas ocidentais para congelar os ativos do banco central da Rússia e dos bancos comerciais russos, cortar as instituições financeiras russas do sistema internacional de pagamentos SWIFT e a saída dos bancos ocidentais e empresas financeiras.

Com a Rússia fora do sistema financeiro internacional dominado pelo dólar, o yuan chinês e a criptomoeda têm preenchido o vazio – a parcela de transações baseadas em yuan cresceu de 0,4% para 14% do total em apenas nove meses, de acordo com o ‘Carnegie Endowment for International Peace’. Em setembro, dois bancos russos começaram a emprestar em yuan e também usar a moeda para transferências de dinheiro em vez de SWIFT.

Trocar o dólar e o euro pelo yuan pode ser uma solução eficaz de curto prazo, mas tornará a Rússia mais dependente financeiramente da China, alertou Alexandra Prokopenko, investigadora do Conselho Alemão de Relações Exteriores. “A ‘desdolarização’ da economia, da qual as autoridades russas tanto se orgulham, traduz-se essencialmente em ‘yuanização’. A Rússia está a caminhar para uma zona monetária do yuan, trocando a sua dependência do dólar pela dependência do yuan”, garantiu a especialista. “Esta dificilmente é uma substituição confiável: agora as reservas e pagamentos russos serão influenciados pelas políticas do Partido Comunista Chinês e do Banco Popular da China. Se as relações entre os dois países se deteriorarem, a Rússia pode enfrentar perdas de reservas e interrupções de pagamento.”

Continue a ler após a publicidade
Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.