XI Conferência ED: crédito bancário vs mercado de capitais

É necessário – e urgente – procurar novas formas de financiamento para as empresas portuguesas, reduzindo a alavancagem no crédito bancário e aumentando a aposta no mercado de capitais. Esta é a principal conclusão da XI Conferência Executive Digest, que decorreu esta manhã, no Auditório CGD do ISEG, sob o mote “Crescimento e Financiamento da nossa Economia”.

João Veiga Anjos, head of Santander Globall Banking and Markets e um dos participantes da mesa redonda “As diferentes formas de financiamento das empresas e da economia”, defende que mais do que financiamento, falta investimento. O responsável avança também que as PME devem recorrer a capital e a sponsors e não aos bancos para alimentarem o seu crescimento.

José Maria Ricciardi, presidente da Comissão Executiva do Haitong, concorda com esta premissa e acrescenta que os capitais de risco também poderão ser uma solução. Dados citados pelo orador indicam que na Europa o mercado de capitais corresponde apenas a 20% do financiamento, ao passo que nos EUA corresponde a 80%. José Maria Ricciardi aproveita ainda para indicar quais os dois passos determinantes que faltam dar em Portugal para resolver este problema: conseguir captar investimento estrangeiro e estabelecer um entendimento a longo-prazo entre os vários partidos, garantindo que as regras não mudam sempre que um novo governo entra em funções.

Como estão as empresas a crescer?

A conferência recebeu ainda Emanuel Agostinho, senior manager da Accenture Strategy, José Miguel Leonardo, CEO da Randstad, e Pedro Guerner, coordenador da área de Corporate Strategy da Sonae, que apresentaram os casos de crescimento das respectivas empresas.

No caso da Accenture, o responsável referiu que o digital obrigou ao abandono dos modos tradicionais de consultoria e aconselhamento, já que, actualmente, o know-how de negócio tem de ser combinado com o know-how de tecnologia. Já José Miguel Leonardo revelou que a Randstad se foca em duas abordagens para crescer: inventar o novo (adaptar e adoptar boas práticas e acrescentar valor a soluções tradicionais) e melhorar o core (manter e melhorar processos e sustentar relações e parcerias). Por fim, o crescimento da Sonae tem por base o reforço de activos e competências core, expansão internacional e diversificação de investimentos e formas de investir.

Logo no início do evento, o keynote speaker António Varela, professor do ISEG, deixou claro que é preciso discutir o financiamento do crescimento e não o crescimento e financiamento em separado. O orador deixou também algumas profecias: subida das taxas, a nível geral e em Portugal, a médio prazo; menor incentivo à detenção de carteiras de dívida pública nacional; e aumento da proporção de investimento intangível no investimento total da empresa, fazendo com que não existam garantias reais.

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