WikiLeaks: Trump ofereceu perdão presidencial a Assange, mas com contrapartidas

O presidente dos EUA, Donald Trump, prometeu um perdão ao fundador do WikiLeaks, Julian Assange, na condição de Assange negar que a Rússia tenha alguma ligação à divulgação de emails da campanha da rival Hillary Clinton nas eleições de 2016, informou um tribunal de Londres esta quarta-feira, segundo a AFP. 

A advogada de Assange, Jennifer Robinson, disse que Trump transmitiu a oferta através do ex-congressista dos EUA Dana Rohrabacher. A revelação ocorreu numa audiência no Tribunal de Magistrados de Westminster, antes do início formal, segunda-feira (24), do pedido de extradição de Washington para que Assange enfrente acusações de espionagem. Se for considerado culpado nos Estados Unidos, pode apanhar uma pena de prisão até 175 anos.

A defesa do australiano citou uma declaração de Robinson, na qual esta disse que Rohrabacher tinha ido ver Assange e disse que “por instruções do presidente, estava a oferecer um perdão ou alguma outra saída, se o Sr. Assange dissesse que a Rússia não tinha nada a ver” com a divulgação dos emails.

Questionada sobre a acusação, a secretária de imprensa da Casa Branca, Stephanie Grisham, disse que “o presidente mal conhece Dana Rohrabacher, a não ser pelo facto de que ele foi um congressista. Eles nunca conversaram sobre esse assunto”. “É uma invenção completa e uma mentira total”, sublinhou.

O alegado pedido de Trump ao fundador da Wikileaks até vai ao encontro do que Julian Assange sempre disse relativamente à Rússia e aos emails. “A nossa fonte não é o governo russo. Não é nenhum estado”, garantiu Assange em 2016, por mais do que uma ocasião.

As agências de segurança dos EUA concluíram que a Rússia invadiu os servidores de computador do Comité Nacional Democrata (DNC) durante a campanha de Trump contra a rival democrata Hillary Clinton. Mais tarde, o WikiLeaks publicou os emails, que se mostraram politicamente prejudiciais para Clinton, antes da votação de novembro de 2016.

Assange, 48 anos, enfrenta 18 acusações nos EUA, 17 delas sob a Lei de Espionagem. Nenhuma delas está relacionada com a “pirataria” do DNC e dizem respeito à publicação de mensagens diplomáticas e de defesa do WikiLeaks sobre campanhas dos EUA no Afeganistão e no Iraque.

 

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