WhatsApp e Telegram: aplicações encriptadas são agora terreno fértil de burlões, denuncia Revolut. Meta é a ‘campeã’ das fraudes pelo 3º ano seguido

No seu terceiro Relatório de Segurança do Consumidor e Crime Financeiro, apresentado esta terça-feira, a fintech global destacou que, apesar desta mudança, as plataformas Meta (Facebook, Instagram, WhatsApp) representaram coletivamente 54% de todas as burlas reportadas à Revolut a nível global

Executive Digest

A Revolut alertou para as táticas em rápida evolução dos burlões a nível global e em Portugal, salientando que os criminosos estão a recorrer cada vez mais a serviços de mensagens encriptadas para explorar as vítimas, com a proporção de fraudes a começar no WhatsApp e no Telegram a aumentar acentuadamente no segundo semestre de 2024.

No seu terceiro Relatório de Segurança do Consumidor e Crime Financeiro, apresentado esta terça-feira, a fintech global destacou que, apesar desta mudança, as plataformas Meta (Facebook, Instagram, WhatsApp) representaram coletivamente 54% de todas as burlas reportadas à Revolut a nível global, marcando o terceiro relatório consecutivo em que a Meta manteve esta posição.



A Revolut encara a fraude e o risco de os clientes serem enganados por criminosos organizados com a maior seriedade. Só em 2024, evitou que os seus clientes perdessem mais de 710 milhões de euros (600 milhões de libras) em potenciais fraudes. Para reforçar a proteção dos seus utilizadores, a empresa tem vindo a aprimorar as suas ferramentas de segurança. As novidades deste ano incluem a possibilidade de fazer chamadas dentro da app para identificar de imediato burlas de impersonificação.

No entanto, as instituições financeiras não conseguem combater sozinhas a vasta dimensão das burlas que têm origem nas plataformas de redes sociais. As principais conclusões do mais recente Relatório de Segurança do Consumidor e Crime Financeiro da Revolut destacam:

– Encriptação não significa proteção – A fraude originária do WhatsApp e do Telegram representa agora bem mais de um terço das burlas reportadas (39%), à medida que os criminosos recorrem cada vez mais a serviços de mensagens encriptadas para explorar as vítimas. Os consumidores são levados a acreditar que estas plataformas são seguras, contudo, o número de casos provenientes do Telegram aumentou uns impressionantes 121% no segundo semestre, enquanto os casos do WhatsApp subiram uns igualmente preocupantes 67%.

– A Meta continua a ser a maior fonte de burlas – Apesar do crescimento noutras plataformas, as plataformas da Meta representam mais de metade (54%) das burlas reportadas à Revolut a nível global no segundo semestre de 2024. Este é o terceiro relatório consecutivo em que a Meta mantém esta posição.

– As burlas de compra continuam a dominar, com as burlas de bilhetes a visar as gerações mais jovens – Embora os métodos de fraude estejam em constante alteração, as burlas ligadas a compras não diminuíram e continuam a ser as mais prevalentes. O segundo semestre de 2024 testemunhou uma tendência preocupante nas burlas de bilhetes, com os criminosos a visar os grupos demográficos mais jovens, sendo os indivíduos com idades entre os 17-24 e os 25-34 anos a representar a vasta maioria dos casos reportados (36% e 38% respetivamente).

Em Portugal, estes são os principais dados sobre burlas:

– 23% das burlas ocorrem no Telegram, seguido pelo Whatsapp (19%) e Facebook (18%).

– o principal tipo de fraude são as burlas de compra, com 53% dos casos, seguidas pelas burlas de emprego, com 20%.

– os portugueses são alvo de burlas de compra principalmente no Facebook (28%), seguido pelo Instagram (17%).

– a maioria das burlas de emprego que afetam os portugueses acontece no Telegram (61%). O Whatsapp é a plataforma onde se verifica a maior incidência de burlas de investimento contra portugueses (32%).

“Os burlões estão a adaptar rapidamente as suas táticas, explorando cada vez mais aplicações de mensagens encriptadas supostamente seguras como o WhatsApp e o Telegram”, indicou o Head of Financial Crime da Revolut, Woody Malouf. “No entanto, apesar dos repetidos apelos da Revolut e de outras instituições financeiras, as plataformas de redes sociais não estão a resolver a fraude que atormenta os seus utilizadores, e a sua inação não é apenas negligente; é um facilitador direto do crime financeiro. Precisamos de ação imediata e decisiva, não de promessas vazias.”

A Revolut exige mais do que medidas reativas; defendendo uma intervenção proativa, incluindo processos de verificação mais rigorosos para anunciantes e criadores de conteúdo, uma monitorização robusta impulsionada por IA e uma colaboração contínua com instituições financeiras e autoridades policiais. Adicionalmente, a Revolut continua a pressionar as empresas de redes sociais para que se comprometam a partilhar o reembolso das vítimas de burlas originárias nas suas plataformas. O status quo atual continua inaceitável.

Ainda no passado mês de março, foram lançadas três novas medidas de combate à fraude na app:

– Perda de dispositivo: Em caso de perda ou roubo do telemóvel, a Revolut permite bloquear o acesso à conta remotamente através do site ou outro dispositivo, após verificação de identidade. O utilizador pode bloquear dispositivos e cartões, sendo depois solicitado a alterar a sua palavra-passe.

– Login noutro dispositivo Para maior segurança contra phishing, a Revolut usa autenticação multi-fator com biometria e notifica de imediato qualquer acesso à conta por outro dispositivo. Após confirmação biométrica, o cliente pode bloquear o acesso desse dispositivo e mudar a sua palavra-passe.

– Limites de transações: Nos próximos dias, os clientes poderão definir limites diários para pagamentos e transferências, dificultando o esvaziamento rápido da conta em caso de acesso indevido. Para ultrapassar estes limites definidos, será necessária uma confirmação de segurança biométrica.

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