Voos da TAP para a Venezuela regressam esta segunda-feira com rota alternativa e mais ajuda humanitária

Anúncio foi feito pelo secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, em declarações a partir de Caracas

Francisco Laranjeira

A TAP vai retomar esta segunda-feira os voos de e para a Venezuela, mas a operação não será feita através do aeroporto de Caracas. Devido aos danos provocados pelos sismos no Aeroporto Internacional Simón Bolívar de Maiquetía, a companhia aérea portuguesa vai utilizar o Aeroporto Arturo Michelena, em Valência, a cerca de 170 quilómetros a oeste da capital venezuelana.

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O anúncio foi feito pelo secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, em declarações a partir de Caracas. “A TAP vai retomar os voos para a Venezuela a partir de segunda-feira através do aeroporto de Valência”, afirmou o governante à ‘RTP’, acrescentando que o aeroporto fica a cerca de 200 quilómetros de Caracas.

A retoma da ligação aérea surge numa altura em que há portugueses e lusodescendentes a tentar regressar a Portugal depois dos sismos que atingiram a Venezuela em 24 de junho. Emídio Sousa afirmou que existem “alguns pedidos de pessoas que querem regressar” e garantiu que o Governo está a acompanhar as situações “caso a caso”. Com o regresso dos voos comerciais, acrescentou, “as pessoas podem optar pela solução mais favorável”.

A operação deverá começar com um voo semanal para Valência, mas o objetivo é chegar a dois voos por semana. “Já vamos retomar os voos da TAP. Na próxima segunda-feira a TAP vai já voar para Valência, vai retomar já um voo semanal, e a ideia é conseguirmos dois voos semanais”, disse Emídio Sousa à Lusa.

O voo previsto para segunda-feira servirá também para transportar nova ajuda humanitária portuguesa. Segundo o secretário de Estado, o Ministério da Saúde vai enviar cerca de sete toneladas e meia de produtos farmacêuticos e material médico para apoiar a resposta à emergência na Venezuela.

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Esta será uma nova fase da resposta portuguesa à tragédia. Numa primeira etapa, Portugal enviou equipas de busca e salvamento, incluindo 64 elementos com cães, médicos, sapadores, militares da GNR e bombeiros. A base da missão portuguesa ficou instalada em Catia la Mar, no estado de La Guaira, uma das zonas mais afetadas pelos sismos e com forte presença de portugueses e lusodescendentes.

Emídio Sousa explicou que a fase inicial de resgate terminou e que o foco passa agora para a ajuda humanitária e para o apoio às comunidades afetadas. Portugal já enviou dois aviões da Força Aérea com 12 toneladas de bens, incluindo kits de alimentação, higiene e saneamento, duas ambulâncias oferecidas pela Cruz Vermelha e material cedido pela Marinha.

Além da ajuda em bens, Portugal disponibilizou 400 mil euros para apoiar dois projetos da Cáritas e da Oikos, destinados a chegar a cerca de 1.500 famílias. O secretário de Estado afirmou que Portugal pretende continuar ao lado da Venezuela na resposta humanitária, na reconstrução e no apoio à comunidade portuguesa residente no país.

Os sismos de 24 de junho provocaram pelo menos 3.811 mortos e 16.740 feridos, segundo o balanço oficial mais recente citado pela Lusa. Entre as vítimas mortais estão pelo menos 102 portugueses e lusodescendentes, havendo ainda 57 desaparecidos ou incontactáveis.

A mudança temporária da operação da TAP para Valência permitirá restabelecer uma ligação aérea regular entre Portugal e a Venezuela enquanto o principal aeroporto de Caracas continuar encerrado. Para as famílias que querem sair do país ou regressar à Venezuela, a retoma dos voos comerciais representa uma alternativa ao esforço consular e humanitário que tem marcado as últimas semanas.

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