Von der Leyen pressionada a avançar com compensações pela escravatura na EU

O primeiro-ministro de Granada, Dickon Mitchell, desafiou publicamente a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, a exigir um pedido de desculpas formal e uma compensação financeira pela participação histórica da Europa no tráfico transatlântico de escravos.

Pedro Zagacho Gonçalves

O primeiro-ministro de Granada, Dickon Mitchell, desafiou publicamente a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, a exigir um pedido de desculpas formal e uma compensação financeira pela participação histórica da Europa no tráfico transatlântico de escravos. O apelo foi feito durante a conferência da Comunidade do Caribe (CARICOM), onde estiveram também presentes von der Leyen e o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.

Num discurso enérgico, Mitchell dirigiu-se diretamente à líder europeia:”Não quero ser indelicado, mas direi isto: a questão das reparações pela escravatura transatlântica e pela escravização dos povos africanos e dos corpos negros é um tema que iremos abordar consigo”, afirmou o chefe de governo granadino.

Mitchell sublinhou ainda a necessidade de uma condenação explícita da escravatura para impedir que a ideia de que um ser humano pode possuir outro volte a ganhar força:

“Enquanto não rejeitarmos de forma aberta e explícita a ideia de que um ser humano pode possuir outro, corremos o risco de que essa ideia volte a enraizar-se em algum lugar e de que permitamos que ela floresça e aconteça novamente no mundo.”

Entre os séculos XVI e XIX, várias nações europeias estiveram envolvidas no tráfico de milhões de africanos para as Américas, explorando-os como mão de obra escravizada em plantações e outras atividades económicas.

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Mitchell sublinhou que, como descendentes daqueles que lutaram pela sua liberdade contra a escravatura, os países caribenhos têm o dever de garantir que o tráfico transatlântico de escravos seja formalmente reconhecido como um crime contra a humanidade, acompanhado de um pedido de desculpas oficial e de compensações financeiras.

Após o discurso de Mitchell, von der Leyen abordou brevemente a questão, declarando que “a escravatura é um crime contra a humanidade”. No entanto, a presidente da Comissão Europeia não fez qualquer menção a um pedido de desculpas formal nem à possibilidade de reparações financeiras, deixando a questão em aberto.

O pedido de compensações por parte dos países caribenhos tem sido uma reivindicação recorrente da CARICOM, que defende que as potências europeias devem assumir a sua responsabilidade histórica e reparar os danos causados às nações cujas economias e sociedades foram profundamente afetadas pela escravatura.

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