A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, apelou esta segunda-feira aos governos da União Europeia (UE) para que utilizem os 150 mil milhões de euros em empréstimos que a Comissão pretende angariar nos mercados financeiros na aquisição de equipamentos de defesa fabricados na Europa. O objetivo, segundo Von der Leyen, é fortalecer a capacidade de defesa do bloco europeu e reduzir a dependência de fornecedores externos.
“Estes empréstimos devem financiar compras a produtores europeus para ajudar a impulsionar a nossa própria indústria de defesa”, afirmou von der Leyen perante os eurodeputados. Acrescentou ainda que “os contratos devem ser plurianuais para proporcionar à indústria a previsibilidade de que necessita” e que “deve haver um enfoque na aquisição conjunta”.
A Comissão Europeia planeia apresentar uma proposta legislativa para este novo instrumento financeiro durante o próximo Conselho Europeu, agendado para 20 de março.
França lidera pressão por aquisições europeias
A França tem sido uma das vozes mais ativas na defesa de uma abordagem de “Buy European” (“Comprar Europeu”) no setor da defesa, e vê nesta iniciativa uma oportunidade para aumentar a produção nacional de equipamentos militares. O ministro francês das Finanças, Eric Lombard, reforçou esta posição antes de uma reunião com os seus homólogos europeus: “É muito importante que os fundos sejam utilizados para comprar produtos europeus”.
Outros países também demonstram preocupação com a dependência da indústria militar dos Estados Unidos. A ministra das Finanças da Suécia, Elisabeth Svantesson, alertou para os riscos estratégicos dessa dependência: “Há uma questão de segurança e de não estarmos dependentes de outros continentes”.
Para além do reforço da autonomia europeia no setor da defesa, a proposta de von der Leyen também visa responder às preocupações de alguns Estados-membros sobre o impacto económico da prioridade dada ao setor militar. A líder da Comissão Europeia garantiu que a medida “terá impactos positivos para a nossa economia e para a nossa competitividade”.
A aquisição de equipamento de defesa junto de produtores europeus poderá ainda impulsionar a criação de novas fábricas e linhas de produção dentro do bloco, reforçando a capacidade industrial europeia num contexto global cada vez mais competitivo.













