A Volkswagen está a acelerar a sua estratégia global de eletrificação e digitalização, reforçando investimentos na China e nos Estados Unidos. De acordo com o ‘El Economista’, o futuro elétrico acessível ID.EVERY1 utilizará a arquitetura do fabricante americano Rivian, enquanto a marca alemã será o primeiro cliente mundial da nova Inteligência Artificial Física desenvolvida pela chinesa Xpeng, focada em condução autónoma avançada.
Recorde-se que a Xpeng revelou no seu mais recente Dia da Inteligência Artificial um drone autónomo capaz de percorrer 500 quilómetros sem intervenção humana, apoiado por uma IA especializada em operações no mundo real com margens mínimas de erro. Esta tecnologia será aplicada a drones, robôs e veículos, incluindo modelos da Volkswagen.
A cooperação entre as duas empresas, iniciada em 2023, evolui agora para a integração da IA Física nos sistemas de condução automatizada da marca alemã. A solução baseia-se nos chamados VLTs, grandes modelos de IA treinados com dados de sensores e comportamentos reais de condução. A Xpeng afirma que a sua IA foi treinada com o equivalente a 65.000 anos de experiência ao volante e continuará a aprender com os utilizadores.
Durante a apresentação, a empresa destacou que a tecnologia consegue reagir proativamente a mudanças do ambiente, reconhecer gestos e executar condução autónoma sem navegação ou ligação à Internet.
Tecnologias comuns e comparação direta entre fabricantes
A Xpeng utilizará a mesma tecnologia nos seus próprios veículos, permitindo observar a evolução dos sistemas de ambas as marcas. A Volkswagen, entretanto, desenvolve chips próprios produzidos na China, com capacidade entre 500 e 700 TOPS, enquanto a Xpeng planeia robotáxis capazes de 3.000 TOPS graças aos seus chips Turing. Estes robotáxis deverão iniciar testes operacionais em 2026, dispensando lidar e mapeamento de alta definição e baseando-se apenas em visão computacional.
Na China, a Volkswagen prepara até 20 novos modelos até 2026 e prevê reduzir custos entre 40 e 50% com uma plataforma elétrica desenvolvida localmente. Em contraste, na Europa a marca planeará cortes de até 30% na força de trabalho até 2030, numa reorganização destinada a reduzir custos fixos em 10 mil milhões de euros.
Rivian fornece arquitetura digital para o “carro definido por software”
A transformação digital da Volkswagen passa também pela parceria com a Rivian, que dará acesso a arquiteturas elétricas, eletrónicas e de software já aplicadas nos seus veículos. A joint-venture RV Tech fornecerá a primeira plataforma SDV para o grupo alemão, com testes de inverno previstos para o início de 2026 e lançamentos antes do fim da década.
Em 2027, o ID.EVERY1 será o primeiro modelo da Volkswagen equipado com a arquitetura zonal da Rivian. O sistema, baseado num computador central modular por zonas, reduz a necessidade de múltiplas unidades de controlo e facilita atualizações contínuas, semelhantes às de um computador. Esta arquitetura será integrada na futura plataforma SSP, pensada para até 30 milhões de veículos.
Competição tecnológica e riscos de uma indústria digitalizada
A Volkswagen considera que o futuro dos veículos elétricos depende da robustez da sua base digital. O setor enfrenta riscos crescentes, incluindo falhas ou ciberataques que podem paralisar operações. O ‘El Economista’ recordou que uma interrupção causada por ataque informático custou mais de 220 milhões de euros à Jaguar Land Rover, sublinhando a importância de sistemas fiáveis numa indústria cada vez mais complexa.














