Volatilidade geopolítica entra pela primeira vez no top 10 de riscos para empresas portuguesas

A volatilidade geopolítica entrou, pela primeira vez, no top 10 dos principais riscos para as empresas portuguesas, ocupando a sexta posição, segundo o Global Risk Management Survey 2025, da Aon.

André Manuel Mendes
Novembro 18, 2025
11:57

A volatilidade geopolítica entrou, pela primeira vez, no top 10 dos principais riscos para as empresas portuguesas, ocupando a sexta posição, segundo o Global Risk Management Survey 2025, da Aon.

O estudo evidencia um aumento significativo deste risco, refletindo a crescente instabilidade global e o impacto nas cadeias de abastecimento, ambientes regulatórios e desempenho financeiro.

Carlos Freire, CEO da Aon Portugal, explica que “vivemos uma nova era marcada por disrupções constantes, onde as empresas operam num mercado global cada vez mais volátil, complexo e interdependente. Neste contexto, os riscos geopolíticos, tecnológicos e regulatórios estão cada vez mais interligados, com implicações profundas para a estratégia empresarial. A edição de 2025 do Global Risk Management Survey 2025 mostra a estreia do risco geopolítico nesta análise, o que vem reforçar que as empresas estão mais conscientes para a complexidade da gestão do risco, e as que adotarem uma abordagem integrada estão mais bem preparadas para responder à incerteza e a transformar o risco em oportunidade”.

O estudo mantém o risco cibernético como a principal preocupação das empresas portuguesas, assim como na Europa e a nível global, refletindo o aumento dos ataques informáticos e das violações de dados num mundo cada vez mais digital. Além disso, as questões relacionadas com o capital humano continuam a ser um desafio, com a dificuldade na captação ou retenção de talento e a carência de mão-de-obra a integrarem o top 10 dos riscos para 2025.

A análise global do estudo revela que os principais riscos continuam a ser ataques informáticos/fuga de dados, interrupção de negócio e abrandamento económico/recuperação lenta, mantendo-se consistentes em relação à edição de 2023. O relatório destaca que os riscos estão cada vez mais interligados, exigindo das empresas uma gestão estratégica focada na resiliência operacional e na adaptação a contextos económicos desfavoráveis.

Sobre a inteligência artificial, Carlos Freire sublinha que “a escala e a complexidade dos riscos estão mais disseminados e com o uso da inteligência artificial a tornar-se mais amplo, é necessário que os gestores desbloqueem e invistam em oportunidades de crescimento. Para mitigar os riscos interligados, é essencial investir em resiliência digital, desenvolver planos de continuidade de negócios e promover a colaboração global para a troca de informações e resposta coordenada a ameaças que chegam de todos os lado”.

Pela primeira vez, a IA surge entre os cinco riscos futuros mais críticos para as empresas portuguesas, refletindo preocupações com os impactos éticos, jurídicos e operacionais, bem como a aceleração da mudança nos riscos existentes. A previsão para os próximos três anos indica que os principais riscos manter-se-ão: ataques informáticos/fuga de dados, volatilidade geopolítica, inteligência artificial, alterações legislativas e regulatórias, abrandamento económico/recuperação lenta, e risco do preço das matérias-primas/escassez de materiais.

Carlos Freire, CEO da Aon, conclui “Os novos cenários de eventos, associados aos conflitos e às mudanças geopolíticas, trouxeram desafios que mudaram o perfil de risco e, num contexto de volatilidade e disrupção constante, os gestores precisam de insights e análises robustas para tomar decisões informadas e proteger o crescimento futuro. Cada vez mais, os vários riscos estão interligados entre si, o que reforça a ideia de que as organizações que prosperam são as que tratam o risco como uma vantagem estratégica e constroem resiliência em todas as funções. As organizações estão atentas e a reconhecer que a gestão de risco é um ativo estratégico”.

O Global Risk Management Survey, realizado de dois em dois anos desde 2007, contou com cerca de 3.000 inquiridos em 63 países e 16 setores, fornecendo dados e insights que permitem às empresas uma melhor gestão do risco num ambiente global cada vez mais complexo. O relatório completo pode ser consultado em: Global Risk Management Survey | Aon.

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