Vírus da Covid-19 (também) infeta animais domésticos. Gatos têm mais sintomas e cães mais carga viral, revela estudo português

Os dados são de uma investigação portuguesa publicada na revista científica Microorganisms

Teresa Campos

Os gatos são mais propensos a ter sintomas, os cães têm maior carga viral. Para já não há evidência de que estes bichos possam infetar humanos, mas um recente estudo português, que analisou mais de 200 animais, em cinco distritos portugueses, valida que cães e gatos podem ser infetados com o SARS-CoV-2 ao estarem em contacto com humanos contaminados.

“Digamos que estamos perante uma zoonose reversa”, explica, à CNN Portugal, Isabel Fidalgo-Carvalho, investigadora no Centro de Investigação Vasco da Gama, em Coimbra, e uma das autoras do estudo. “Ou, seja, é uma doença que passou de animais para pessoas e agora revela que é igualmente capaz de passar de pessoas para animais”.

Publicado na Microorganisms, o estudo contou ainda com a participação de outros investigadores das Universidades do Porto e de Coimbra – e surgiu na sequência de uma outra que ficou entretanto em suspenso com a pandemia. “É que já estávamos a estudar vírus em animais com a capacidade de infetar outras espécies. O foco da nossa análise eram os cavalos, mas dada a maior proximidade de cães e gatos com humanos, optamos por ajustar a investigação”, prossegue aquela cientista.

A explicação para este contágio no sentido inverso, explica, parece assentar nos confinamentos, em que os animais foram o grande apoio de muitas pessoas – e isso pode ser-se revelado um momento propenso para passagem do vírus dos donos para os animais.

Assumindo que, segundo os dados recolhidos, os gatos são mais propensos a ser contagiados, mas os cães conseguem transmitir cargas mais altas do vírus, Isabel Fidalgo-Carvalho faz questão de sublinhar que o foco da investigação é “proteger os animais” – não recomendando, portanto, qualquer isolamento de animais domésticos. “O que pudemos constar, nestes casos, é que são os bichos que correm maior risco”.

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