Monção e Melgaço abriram, durante dois dias, as portas das suas quintas e adegas num movimento concertado que pretende ir além da celebração vínica: pretendem posicionar o Alvarinho como verdadeiro “passaporte” de entrada na nova ambição turística da Região dos Vinhos Verdes.
A iniciativa Open Cellars, promovida pela Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV), em articulação com o Turismo do Porto e Norte de Portugal, os municípios e os produtores locais, colocou o foco na sub-região como destino de enoturismo de referência, num momento em que o setor procura reforçar valor e notoriedade internacional.
Ao todo, 16 produtores participaram na ação, que transformou as adegas em espaços de experiência e descoberta, com provas comentadas, visitas vínicas, harmonizações gastronómicas, workshops sensoriais, sunsets entre vinhas e atividades de natureza e cultura local.
Mais do que um programa de enoturismo, a iniciativa funcionou como uma montra do território e da sua identidade vitivinícola, onde o Alvarinho assume um papel central na estratégia de diferenciação e valorização da região no mercado global.
Segundo a presidente da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes – CVRVV, Dora Simões, o projeto nasceu da vontade de associar as comemorações ligadas ao Alvarinho à crescente importância do turismo vínico na região.
“Entendemos que, dada a importância do enoturismo na sub-região e na Região dos Vinhos Verdes, era importante colocar algum foco nesta área e proporcionar visitas a operadores turísticos, jornalistas especializados e outros interessados”, explicou.

A iniciativa permitiu dar a conhecer uma realidade que, na visão da responsável, distingue Monção e Melgaço de outras regiões vitivinícolas. Entre os principais fatores diferenciadores estão a forte presença de pequenas adegas e produtores boutique, a aposta na casta Alvarinho e uma paisagem singular marcada por sistemas de condução da vinha muito próprios.
“É uma região com uma estrutura de adegas pequenas, próxima e autêntica, muito alavancada numa única casta, o Alvarinho, que tem hoje uma procura nacional e internacional muito interessante”, destacou.
Vinhos Verdes procuram subir na cadeia de valor
Com mais de metade da produção destinada à exportação, os Vinhos Verdes atravessam, segundo Dora Simões, uma fase de evolução do seu posicionamento no mercado.
A presidente da CVRVV considera que a região está a conseguir mostrar uma imagem mais diversificada, para além dos tradicionais vinhos leves e de consumo imediato. Atualmente, muitos produtores apostam também em vinhos de guarda, monocasta e segmentos de maior valor acrescentado. “Os portefólios das empresas passaram a incluir não apenas os vinhos mais leves e descomplicados, mas também vinhos com potencial de envelhecimento que expressam as castas autóctones da região”, afirmou.
A responsável sublinha ainda que a forte ligação às castas autóctones constitui uma vantagem competitiva da região, permitindo comunicar de forma mais eficaz a identidade dos seus vinhos e contribuir para uma valorização do preço médio de venda.

Espumantes são aposta estratégica
Outra das tendências destacadas por Dora Simões é o crescimento da categoria dos espumantes, uma das poucas que continua a apresentar sinais positivos nos mercados internacionais.
Sem estabelecer comparações diretas com outras regiões produtoras, a presidente da CVRVV considera que os Vinhos Verdes dispõem de condições naturais favoráveis para reforçar a sua presença neste segmento.
“As castas da região são muito aptas à produção de espumantes, com acidez pronunciada e perfil aromático adequado”, referiu.
Monção e Melgaço assumem já um papel relevante nesta estratégia, sendo uma das sub-regiões com maior expressão na produção de espumantes premium elaborados a partir da casta Alvarinho.
Cooperação para captar mais turistas
No balanço da iniciativa Open Cellars, Dora Simões destaca a colaboração entre entidades públicas e privadas como um dos principais fatores de sucesso.
A responsável considera que o projeto funcionou como uma experiência piloto para preparar o território para um crescimento sustentado da procura turística, envolvendo produtores, autarquias e organismos de promoção turística.
“Foi um exercício conjunto para percebermos como nos devemos organizar e preparar para receber cada vez mais turistas e para compreender de que forma a região é percecionada pelos operadores turísticos”, afirmou.
O objetivo passa agora por consolidar uma estrutura capaz de atrair um número crescente de visitantes nacionais e internacionais, reforçando simultaneamente a notoriedade da sub-região de Monção e Melgaço e da Região dos Vinhos Verdes nos mercados externos.


















