Vigília de apoio a Rui Pinto exige estatuto de «denunciante» para hacker português

Depois dos advogados de defesa de Rui Pinto terem revelado que foi ele que entregou os documentos que estão na origem do «Luanda Leaks», o Movimento Associativo Independentes-Mais marcou para quarta-feira, dia 29, uma vigília nacional para exigir que seja aplicado o estatuto de denunciante ao alegado pirata informático português.

Executive Digest

Depois dos advogados de defesa de Rui Pinto terem revelado que foi ele que entregou os documentos que estão na origem do «Luanda Leaks», o Movimento Associativo Independentes-Mais marcou para quarta-feira, dia 29, uma vigília nacional para exigir que seja aplicado o estatuto de denunciante ao alegado pirata informático português.

«O estatuto de denunciante, whistleblowers em inglês, foi aprovado por grande maioria no Parlamento Europeu em 16 de Abril de 2019, porque é que ainda não foi transposto para a lei portuguesa? Para prender Rui Pinto? Obrigada por lutarem pela liberdade de imprensa», pode ler-se em comunicado.

A organização, liderada por Margarida Ferreirinha, e com o apoio da deputada Joana Amaral Dias, acrescenta ainda: «Agradecemos a Ana  Gomes pela sua coragem. Agradecemos a Rui Pinto por ser denunciante.»

Convocada pelas redes sociais, esta vigília vai realizar-se dia 29, pelas 17 horas, em frente ao Estabelecimento Prisional, junto à Polícia Judiciária de Lisboa, na Rua General Garcia Rosado. No Porto e nas restantes cidades o ponto de encontro será em frente às autarquias, pela mesma hora.

Rui Pinto «não tinha a noção exacta do que tinha em seu poder»

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Francisco Teixeira da Mota, um dos advogados de Rui Pinto, revelou que a Polícia Judiciária tem em sua posse o disco rígido com mais de 715 mil ficheiros com informação relativa à investigação «Luanda Leaks», que foi entregue ao consórcio de jornalistas. «Ele tem cerca de 10 discos rígidos, que estão na posse da Polícia Judiciária, mas também das autoridades francesas e belgas. Tal como este disco que entregou a esta plataforma, foram entregues também às autoridades francesas de combate fiscal», disse na segunda-feira o advogado à “RTP”.

Já William Bourdon, presidente da Plataforma de Protecção para Denunciantes em África e também advogado de Rui Pinto, defendeu, em declarações à “DW África”, que o português é uma das pessoas que mais contribui para apurar a verdade em vários inquéritos que já foram iniciados na Europa e que, por isso, pede o estatuto de denunciante para o seu cliente.

Da mesma forma, a ex-eurodeputada portuguesa Ana Gomes criticou, ontem, os «dois pesos e duas medidas» da Justiça portuguesa em relação a Rui Pinto, tendo considerado «completamente obsoleta a posição daqueles que no sistema judiciário [português] não querem querer conhecer a luta, que é serviço público, por parte de um denunciante que expõe criminalidade organizado».

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«Tudo o que tem poder para dar combate à criminalidade e corrupção no sistema político, económico e social é vulnerável e está infiltrado, e é isso que explica muitas outras incoerências a que temos assistido nos últimos anos em Portugal», acrescentou em entrevista à “Lusa”.

O Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa, recorde-se, decidiu levar a julgamento Rui Pinto, criador do Football Leaks, por 93 crimes de acesso ilegítimo, acesso indevido, violação de correspondência, sabotagem informática e tentativa de extorsão. Por decisão da juíza de instrução do processo, caem 54 crimes da acusação do Ministério Público. Também outro dos advogados do hacker, Aníbal Pinto, vai ser levado a julgamento por um crime de extorsão, mas com atenuante.

*Notícia actualizada com mais informação às 09:07

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