Vídeos da sonda ‘Solar Orbiter’ mostram imagens do sol nunca antes vistas…e são realmente impressionantes

O ‘Solar Orbiter’, da Agência Espacial Europeia (ESA), entrou no periélio, a 26 de março último, aproximando-se a uma distância de cerca de 48 milhões de quilómetros, já dentro da órbita de Mercúrio

Francisco Laranjeira

Uma sonda que se encontra a dar voltas ao redor do Sol fez a sua primeira aproximação – e o resultado é um filme de deixar as pessoas boquiabertas. O ‘Solar Orbiter’, da Agência Espacial Europeia (ESA), entrou no periélio, a 26 de março último, aproximando-se a uma distância de cerca de 48 milhões de quilómetros, já dentro da órbita de Mercúrio. A essa proximidade, as temperaturas atingiram cerca de 500 graus Celsius e espera-se que os periélios futuros fiquem ainda mais próximos e mais quentes.

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Enquanto voava em torno da sua órbita, a sonda viu o Sol como nunca foi visto antes – incluindo uma característica fascinante e misteriosa apelidada de ‘ouriço’ e vistas detalhadas dos polos solares geralmente escondidos. Essas novas observações, feitas com os 10 instrumentos científicos do ‘Solar Orbiter’ a trabalhar juntos pela primeira vez, devem fornecer uma riqueza de dados para desvendar o comportamento do Sol, incluindo os seus campos magnéticos selvagens e o clima, por vezes caótico, que explode no espaço interplanetário.

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O ‘Solar Orbiter’ pode fazer uma enorme diferença para a ciência solar, até porque permite mostrar partes do Sol que normalmente não podemos ver. Por exemplo, por causa do ponto de vista da Terra em órbita ao redor do equador do Sol, os seus polos são extremamente difíceis de estudar. As regiões polares são consideradas regiões extremamente importantes para os campos magnéticos solares que desempenham um papel tão grande na atividade solar. No entanto, como os polos são tão difíceis de ver, não se sabe o acontece com os campos magnéticos.

As imagens do polo sul, a 30 de março último, revelou uma região a ‘ferver’ com linhas de campo magnético em arco que se afastam do Sol.

O ‘ouriço’ solar é outro fascínio: também capturado a 30 de março, os físicos solares ainda precisam descobrir exatamente o que é e como se formou. Consiste numa região relativamente pequena com cerca de 25.000 quilómetros de diâmetro, fotografada em ultravioleta extremo para revelar a sua atividade. E que atividade: picos quentes e menos quentes de gás solar estão a sair em todas as direções na coroa solar, ou atmosfera. “As imagens são realmente de tirar o fôlego”, confessou o físico solar David Berghmans, do Observatório Real da Bélgica. “Mesmo que o ‘Solar Orbiter’ parasse de recolher dados amanhã, estaria ocupado durante anos para tentar descobrir todas essas coisas.”

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O principal objetivo do ‘Solar Orbiter’ é ajudar os cientistas a entender o efeito que o Sol tem em toda a heliosfera, ou a esfera de influência solar definida pelo vento solar, cuja fronteira se estende além da órbita de Plutão. Esse vento solar sopra partículas e campos magnéticos para o espaço interplanetário, emaranhando-se com os planetas com efeitos tangíveis.

O Sol está atualmente bastante ativo, o que significa que a sonda estará a transmitir para casa cargas absolutas de dados valiosos sobre a atividade solar – tem, pelo menos, mais 14 periélios programados antes de 2030, nos quais se vai aproximar a 40 milhões de quilómetros do Sol, usando os sobrevoos de Vénus para aumentar a sua velocidade enquanto gira. “Estamos muito entusiasmados com a qualidade dos dados do nosso primeiro periélio”, apontou o físico solar Daniel Müller, cientista do projeto da ESA para o ‘Solar Orbiter’. “É quase difícil acreditar que este é apenas o começo da missão. Nós estaremos realmente muito ocupados.”

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