O Governo russo está a preparar um vídeo para justificar uma nova invasão à Ucrânia, alertaram esta sexta-feira as agências de espionagem dos Estados Unidos. Segundo Washington, o Governo de Vladimir Putin autorizou a filmagem de um falso ataque das Forças Armadas da Ucrânia ou talvez de países da NATO contra a população russa que vive no leste do país. Moscovo ainda não respondeu às acusações.
Todo o plano, alegadamente, tem as dimensões de um filme, com atores e equipamento, assim como imagens de explosões e cadáveres. Segundo relatou o jornal americano ‘The Washington Post’, os serviços de inteligência não descartam a possibilidade que o plano de Moscovo inclua um ataque real contra civis russos na Ucrânia, com mortos e feridos, para justificar outra invasão.
O plano de Putin seria difundir estas imagens como se um verdadeiro ataque tivesse ocorrido, justificando assim a entrada da Rússia em território ucraniano. Washington afirmou que o plano do vídeo foi aprovado “pelos mais altos níveis do Governo russo”, o que aponta diretamente a Putin.
Não seria o primeiro caso de uso de ataques falsos por parte de Vladimir Putin – em 1999, uma série de ataques à bomba em prédios de apartamentos em Moscovo deixou centenas de mortos e a Rússia foi rápida em culpar os fundamentalistas islâmicos na Chechénia, tenho lançado uma ofensiva militar em 2000. Nunca foi realizada uma investigação independente dos eventos. Em 2008, a Rússia invadiu a Geórgia após acusar aquele país de realizar ações militares na região da Ossétia do Sul, habitada principalmente por russos – na realidade, as hostilidades foram iniciadas por milícias pró-Rússia da Ossétia do Sul, com o apoio das Forças Armadas de Moscovo.
Também os Estados Unidos não são inocentes em empregar tais táticas: o ‘incidente do Golfo de Tokin’, em agosto de 1964, serviu de justificação para uma intervenção maciça no Vietname, depois de um ‘suposto’ ataque norte-vietnamita contra dois destroyers americanos.



