Vídeo falso sobre massacre de russos na Ucrânia vai justificar decisão da Rússia em invadir, denunciam EUA

Agências de espionagem americanas acusam Governo de Putin de preparar um vídeo falso para justificar a entrada de tropas russas em território ucraniano

Francisco Laranjeira

O Governo russo está a preparar um vídeo para justificar uma nova invasão à Ucrânia, alertaram esta sexta-feira as agências de espionagem dos Estados Unidos. Segundo Washington, o Governo de Vladimir Putin autorizou a filmagem de um falso ataque das Forças Armadas da Ucrânia ou talvez de países da NATO contra a população russa que vive no leste do país. Moscovo ainda não respondeu às acusações.

Todo o plano, alegadamente, tem as dimensões de um filme, com atores e equipamento, assim como imagens de explosões e cadáveres. Segundo relatou o jornal americano ‘The Washington Post’, os serviços de inteligência não descartam a possibilidade que o plano de Moscovo inclua um ataque real contra civis russos na Ucrânia, com mortos e feridos, para justificar outra invasão.

O plano de Putin seria difundir estas imagens como se um verdadeiro ataque tivesse ocorrido, justificando assim a entrada da Rússia em território ucraniano. Washington afirmou que o plano do vídeo foi aprovado “pelos mais altos níveis do Governo russo”, o que aponta diretamente a Putin.

Não seria o primeiro caso de uso de ataques falsos por parte de Vladimir Putin – em 1999, uma série de ataques à bomba em prédios de apartamentos em Moscovo deixou centenas de mortos e a Rússia foi rápida em culpar os fundamentalistas islâmicos na Chechénia, tenho lançado uma ofensiva militar em 2000. Nunca foi realizada uma investigação independente dos eventos. Em 2008, a Rússia invadiu a Geórgia após acusar aquele país de realizar ações militares na região da Ossétia do Sul, habitada principalmente por russos – na realidade, as hostilidades foram iniciadas por milícias pró-Rússia da Ossétia do Sul, com o apoio das Forças Armadas de Moscovo.

Também os Estados Unidos não são inocentes em empregar tais táticas: o ‘incidente do Golfo de Tokin’, em agosto de 1964, serviu de justificação para uma intervenção maciça no Vietname, depois de um ‘suposto’ ataque norte-vietnamita contra dois destroyers americanos.

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