Dominic Raab demitiu-se esta sexta-feira na sequência de várias denúncias de bullying por parte dos funcionários do ministro ao longo dos anos. Uma investigação preliminar, conduzida pelo advogado Adam Tolley, validou duas das oito denúncias contra o responsável numa altura que foi ministro para o Brexit, dos Negócios Estrangeiros e da Justiça.
O primeiro caso contra o ex-‘vice’ foi denunciado pelo jornal britânico ‘The Guardian’, em novembro último, com várias fontes de Ministério da Justiça a acusar Raab de ter instituído no gabinete “uma cultura de medo”, sendo “muito mal-educado e agressivo” para a equipa. Foi mesmo acusado de ter atirado tomates da salada que estava a comer a funcionários – ao jornal ‘The Mirror’, um antigo colaborador sublinhou que o Rabb tinha a alcunha de “Incenerador”, por ter levado a equipa ao burnout.
My resignation statement.👇 pic.twitter.com/DLjBfChlFq
— Dominic Raab (@DominicRaab) April 21, 2023
Na carta de demissão, Dominic Raab defendeu as suas ações. “Embora me sinta obrigado a aceitar o resultado do inquérito, foram rejeitadas todas as reivindicações feitas contra mim, exceto duas. Também acredito que as descobertas adversas são falhas e estabelecem um precedente perigoso para a conduta de um bom Governo”, sustentou.
“Em primeiro lugar, os ministros devem ser capazes de exercer supervisão direta em relação a altos funcionários sobre negociações críticas conduzidas em nome do povo britânico, caso contrário, o princípio democrático e constitucional da responsabilidade ministerial será perdido”, sublinhou Raab.
“Em segundo lugar, os ministros devem ser capazes de dar feedback crítico direto sobre briefings e submissões a altos funcionários, a fim de estabelecer os padrões e conduzir a reforma que o público espera de nós. Claro, isso deve ser feito dentro de limites razoáveis. O sr. Tolley concluiu que eu nunca, em quatro anos e meio, maltratei ou gritei com ninguém, muito menos atirei algo ou intimidei fisicamente alguém, nem procurei intencionalmente menosprezar ninguém. Lamento sinceramente qualquer stress ou ofensa não intencional que qualquer funcionário tenha sentido, como resultado do ritmo, dos padrões e do desafio que levei ao Ministério da Justiça”, concluiu.













