As companhias aéreas continuam divididas sobre a possibilidade de bloquear assentos do meio mas os passageiros mostram estar dispostos a pagar, em média, mais 16 a 17% para voar em companhias aéreas que bloqueiem o assento do meio, de acordo com a mais recente análise da Atmosphere Research, consultora para o setor das viagens.
Os dados sobre as receitas das companhias aéreas, citados pelo ‘Business Insider, sugerem que os clientes estão realmente dispostos a pagar e embora a Delta esteja a bloquear 40% de seus assentos, o impacto na receita de passageiros rivaliza com o da United que não tomou esta mesma opção.
O debate sobre os assentos do meio intensificou-se à medida que os vôos foram lentamente aumentando durante a pandemia do novo coronavírus, com algumas companhias aéreas a duplicar os assentos bloqueados, enquanto outras, como a American Airlines, começaram a preenchê-los novamente.
Estes dados surgem após a American Airlines ter anunciado que iria parar de bloquear o assento do meio nos seus voos, provocando uma onda de críticas.
A United nunca deixou de ocupar estes lugares e, segundo o porta-voz Josh Earnest, esta medida não passou de uma “estratégia de relações públicas”, e não uma “uma estratégia de segurança”. Contudo, a companhia chegou a avançar que ainda avaliava, em alguns vôos e sempre que possível, sobretudo em aviões maiores, a possibilidade de fornecer mais distância entre os passageiros.
Fora das chamadas “três grandes” dos Estados Unidos, a Delta é a única companhia aérea que continua a bloquear os assentos do meio, assim como todos os outros assentos na cabine doméstica de primeira classe, limitando efetivamente a capacidade de seus aviões em 60%. Contudo, o preço a pagar por esta decisão é o de não conseguir gerar receita possível.
Segundo a Delta, não está a cobrar mais pelos bilhetes para compensar a falta de capacidade, mas está a cobrar mais em geral. A companhia aérea conquistou um prémio de receita desde antes da pandemia, em grande parte graças à sua merecida reputação por itens como desempenho no prazo e altura do assento relativamente generosa.
A reviravolta de agora, é que os viajantes estão a olhar para a companhia aérea como um risco da Covid-19, e que vai muito além dos aspetos tradicionais da experiência de voar. “Tudo mudou”, disse o responsável da empresa, Harteveldt. “Não é que o desempenho no prazo não importe, mas os consumidores valorizam o distanciamento físico agora mais do que o desempenho no prazo”.
Recorde-se que, embora existam pesquisas limitadas sobre a probabilidade de transmissão da Covid-19 em aviões, com os poucos estudos disponíveis a fornecer evidências mistas, um dos últimos estudos aponta a descoberta de que preencher o assento do meio quase duplica o risco de contrair o vírus num voo .
A Delta já garantiu que continuará a bloquear os assentos do meio até, pelo menos, setembro. A Southwest, JetBlue e Alaska Airlines também estão a limitar a capacidade nos voos.





