O fundador da IKEA criou a empresa com apenas 17 anos e, na Suécia é comum ouvir dizer-se que foi Per-Albin Hasson (antigo líder social-democrata do país) que construiu a ‘casa do povo’ e Ingvar Kamprad que a mobilou. Com efeito, hoje em dia são casas do povo de todo o mundo que têm algo do visionário, que no fim de contas era bastante ‘poupado’.
A democratização do luxo e a eficiência foram as suas palavras de ordem para um homem frugal e que não gostava de gastar dinheiro desnecessariamente.
Por isso, Kamprad viajou sempre em aviões de companhias aéreas low-cost, usava autocarros e outros transportes públicos sempre que possível, ou o seu velho Volvo, para se deslocar, e até reutilizava as saquetas de chá mais do que uma vez.
“Acho que não tenho roupas que não sejam em segunda mão. Quero dar um bom exemplo”, disse em entrevista à TV sueca o homem que chegou a ir receber um prémio de autocarro e acabou ‘barrado’ à entrada por não acreditarem que era o dono da IKEA.
Morreu em 2018, numa casa simples cujo único luxo era uma piscina, usada por Kamprad para fechar negócios com fornecedores.
Nascido em 1926, numa família de agricultores na fazenda Elmtaryd, em Agunnaryd. As duas inicias dos nomes (EA) são o final do nome da empresa que veio a fundar, com as primeiras duas a serem as suas próprias iniciais.
Começou logo em criança a comprar itens a granel e depois a vendê-los aos vizinhos. Começou com fósforos, mas logo aos 17 anos já fundava a sua empresa, que passou também a vender produtos de decoração, sementes e canetas.
O primeiro catálogo de móveis foi lançado em 1951 e revelou-se logo um sucesso, que ameaçou outros comerciantes suecos que pressionaram fornecedores a não assegurarem matérias-primas à IKEA.
Foi aí que Ingvar Kamprad teve uma decisão revolucionária que transformaria o seu negócio: contactou fornecedores na Ásia, passou a desenhar os próprios móveis e estreou-se na expansão internacional, primeiro na Europa, e, a partir de 1985, nos EUA. Hoje, a IKEA tem mais de 420 lojas em 50 países e vendas anuais de 38,8 mil milhões de euros.
Um líder que considerava importante promover um sentimento de camaradagem entre os funcionários, defensor da descentralização e hierarquia plana, admitia as próprias falhas. “Só quem está a dormir é que não comete erros”, disse uma vez. “Se existe uma boa liderança, é a dar o exemplo. Tenho de fazer isso para todos os funcionários da IKEA”, sustentava.
Não fez vida sem polémicas: o alcoolismo e a simpatia pelo partido nazi na sua juventude, da qual se arrependeu toda a vida marcaram-no.
Um homem que não gostava de perder tempo, “o recurso mais importante”, consta que era disléxico e que tinha muita dificuldade em lembrar-se de códigos com números. Por isso, surgiu assim a ideia de dar nomes a cada modelo de móvel, tradição que se mantém até hoje na IKEA.













