Políticos, estrelas do futebol, atores e músicos, celebridades, grandes empresas ou milionários em geral: o mais habitual é que viagem em jatos privados. A prática disparou com os condicionamentos trazidos pela pandemia da Covid-19 mas, mesmo com uma ligeira redução e com o levantamento de restrições, os números continuam bem acima do registado em 2019 e com sinais de crescimento. Uma questão que levanta preocupações globais.
Os aviões privados são até 14 vezes mais poluentes, por passageiro, do que os voos comerciais, e 50 vezes mais poluentes do que os comboios, segundo revela um relatório da Transport & Environment, uma ONG europeia que luta por transportes mais ‘verdes’.
Para além dos jatos privados levarem menos passageiros, 40% deste tipo de voos privados seguem vazios, simplesmente para levar a aeronave para o local onde é necessária. Voar distâncias mais curtas também significa que os aviões são menos eficientes no gasto de combustível.
“Um jato privado é a forma mais poluente de transporte que se pode tomar. O jato privado mediano emite duas toneladas de carbono numa hora. Em média, um europeu é responsável por emitir oito toneladas de carbono anualmente. Se voarmos de Londres para o sul de França, é logo meio ano de emissões numa só viagem”, exemplifica Matt Finch, responsável no Reino Unido da Transport & Environment, em declarações ao The Guardian.
A organização diz que o Reino Unido é o maior poluidor em termos de jatos privados na Europa, responsável por 20% das emissões deste tipo, seguido pela França, ainda que os EUA contem a esmagadora maioria de todos os voos privados.
Depois da aceleração do uso de jatos privados durante a pandemia, quando os mais ricos os usaram com as aeronaves comerciais em terra, ou para evitar aeroportos com muita gente, houve um abrandamento, mas os níveis de viagens em jatos privados mantém-se em níveis pré-pandémicos e algumas companhias até estão a comunicar crescimento neste setor.
“Desde setembro do ano passado que vemos uma redução de 10 a 15%, comparado com o ano anterior. Mas se olharmos a janeiro de 2023, os valores ainda estão mais de 10% acima do que estavam em janeiro de 2019. E isso é um crescimento sólido”, aponta Richard Koe, diretor da WINGX, empresa de análise de dados de aviação privada.
Um estudo do ano passado da Airbus Corporate Jets apurou que 65% das grandes empresas dos EUA inquiridas usaram regularmente jatos privados. Um terço destas começou a usá-los durante a pandemia, e quase três quartos afirmavam que planeavam usar mais este mio de transporte nos próximos dois anos.
A aviação privada “é uma indústria mesmo muito imatura, que fornece uma pequena proporção de pessoas muito ricas”, lamenta Koe. No entanto, está a ficar mais acessível viajar desta forma, já que algumas empresas oferecem ‘descontos’ a quem queria ocupar lugar num voo de reposicionamento de um jato privado.
O problema tem gerado polémica à medida que utilizadores de internet e de redes sociais têm usado dados públicos sobre voos privados para acompanhar as viagens de jatos de celebridades como Taylor Swift, Fliyd Mayweather ou Jay-Z (o ‘top 3’ dos mais poluidores).
A Transport & Environment apurou que, na Europa, o pico de uso de jatos privados é no verão, com os destinos mais populares a serem Ibiza ou Nice. “Ou então estão a ocorrer mutos negócios importantes em agosto em Nice… E parece-me difícil dizer que vão fazer negócios em Ibiza”, ironiza o responsável da associação, dizendo que “não é verdade” que muitos dos jatos sejam usados por grandes empresas para realizarem o que alegam ser “negócios de grande importância”.
Outra justificação que os utilizadores de jatos privados usam é que as emissões destas aeronaves só correspondem a 2% de todas as emissões de carbono da aviação. Mas as associações respondem que o setor está em crescimento e que muitos voos são desnecessários, e a viagem podia facilmente ser feita num voo comercial ou de comboio.
Associações ambientalistas pedem, por exemplo, taxas adicionais de voo, bem mais pesadas, para os passageiros de voos privados.












