O pistácio está a conquistar um lugar de destaque no mercado global, impulsionado pelo sucesso viral do chocolate de pistácio do Dubai. Com uma procura crescente e um mercado que já enfrenta limitações de oferta, o preço deste fruto seco continua a aumentar, tornando-se um dos ingredientes mais valorizados no setor alimentar.
O chocolate de pistácio do Dubai tornou-se uma verdadeira sensação nas redes sociais, especialmente no TikTok, onde vídeos sobre o produto geraram milhões de visualizações. Produzido pela Fix Dessert Chocolatier, o doce combina cacau, pistácio e kadaif (uma massa fina de origem do Oriente Médio), sendo vendido nos Emirados Árabes Unidos a cerca de 20 euros por tablete.
A febre de consumo levou a que se criassem “réplicas” em diversos mercados internacionais, com marcas como Lindt, J. D. Gross (disponível no Lidl) e Delica Dore (vendida no Pingo Doce) a lançarem versões próprias, mantendo a receita original. Apesar dos preços mais acessíveis, a escassez e o alto valor do pistácio continuam a influenciar o custo do produto final.
Nas plataformas online, como a Vinted e o OLX, uma tablete do chocolate original do Dubai chega a ser revendida por 100 euros, refletindo o elevado interesse e a dificuldade em adquiri-lo no mercado convencional.
A crescente procura pelo chocolate de pistácio tem levado a um aumento da pressão sobre a produção global deste fruto seco. O pistácio é altamente valorizado não apenas pelo seu sabor e textura, mas também pelos seus benefícios para a saúde, incluindo a redução do colesterol, o fortalecimento do sistema imunitário e a proteção cardiovascular. Além do setor alimentar, é amplamente utilizado nas indústrias farmacêutica e cosmética.
Segundo dados da Mordor Intelligence, o mercado global de pistácio foi avaliado em 4,7 mil milhões de dólares em 2024 e deverá atingir os 5,85 mil milhões de dólares até 2029. No entanto, a capacidade de produção não tem conseguido acompanhar o ritmo da procura, resultando numa escalada de preços.
Apesar do potencial de cultivo devido ao clima mediterrânico favorável, a produção de pistácio em Portugal ainda está em fase de desenvolvimento. “Nos últimos anos assistimos a um crescimento da área de pistácio em Portugal, que ultrapassou os 1.000 hectares. Ainda assim, é insignificante face à área de pistácio de Espanha”, explica Albino Bento, presidente do Centro Nacional de Competências dos Frutos Secos (CNCFS), ao Jornal de Negócios.
A pistaceira é uma árvore de crescimento lento, que pode demorar entre sete a dez anos para atingir a plena produção. “Em Portugal, os pomares mais antigos estão agora a iniciar a produção”, refere Albino Bento. O fruto é geralmente comercializado com casca, sendo vendido tanto no mercado interno como para exportação.
Embora ainda tenha uma posição modesta no mercado global, Portugal exportou, em 2022, cerca de 17,2 toneladas de pistácio, segundo dados do Banco Mundial. Espanha foi o principal destino (14,5 toneladas), seguido de Marrocos, Angola, Cabo Verde e França.
Os principais produtores mundiais continuam a ser os Estados Unidos (responsáveis por 47% da produção global), seguidos pelo Irão e pela Turquia. O pistácio, conhecido como “ouro verde” da agricultura, destaca-se como uma cultura resiliente à seca e de elevado valor comercial, com preços sustentados pela forte procura e limitações de oferta.
O mercado do pistácio deve continuar a enfrentar desafios nos próximos anos. De acordo com previsões do RaboResearch, do Rabobank, os preços deverão manter-se elevados devido à crescente procura e à menor oferta. Entre as campanhas de 2025/26 e 2028/29, estima-se um preço médio de 2,10 dólares por libra-peso para o pistácio com casca, podendo atingir 2,20 dólares na campanha de 2027/28.
Com o crescimento do veganismo e a crescente utilização do pistácio na indústria alimentar, a pressão sobre os preços deve continuar. Para os apreciadores do chocolate de pistácio do Dubai, essa tendência pode significar que a popular guloseima continuará a ser um luxo cada vez mais caro.







