Ventura reage a ameaças a deputados e ativistas: «Quando o André Ventura e o CHEGA são ameaçados ninguém fica alarmado»

O líder do Chega, André Ventura, já reagiu às recentes denúncias de ameaças racistas que foram relatadas na quarta-feira. 

Simone Silva

O líder do Chega, André Ventura, já reagiu às recentes denúncias de ameaças racistas que foram relatadas na quarta-feira.

Numa publicação na sua conta de Twitter, Ventura mencionou uma notícia que dava conta de que três deputadas tinham recebido ameaças racistas por parte de um grupo de extrema direita, desvalorizando a situação.

“Quando o André Ventura e o CHEGA são ameaçados (que acontece a toda a hora) ninguém fica alarmado. Quando são estes coitadinhos, toda a gente chora e grita. Miserável país!”, escreve o deputado.

Recorde-se que membros da SOS Racismo estiveram na quarta-feira na sede da Polícia Judiciária onde foram ouvidos depois de na terça-feira terem recebido um e-mail com ameaças, dando 48 horas para que 10 pessoas abandonassem o país.

Na lista é feita referência a três deputadas: Joacine Katar Moreira, Beatriz Gomes Teixeira e Mariana Mortágua. A informação foi avançada pela RTP e confirmada à Executive Digest por fonte do Bloco de Esquerda, que adianta que está a elaborar uma queixa ao Ministério Público.

No mail pode ler-se o seguinte texto:

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“Informe da Nova Ordem de Avis – Resistência Nacional:

– Beatriz Gomes
– Danilo Moreira
– Joacine Katar Moreira
– Mamadou Ba
– Jonathan Costa
– Rita Osório
– Vasco Santos
– Luís Lisboa
– Melissa Rodrigues
– Mariana Mortágua

Informamos que foi atribuído um prazo de 48 horas para os dirigentes antifascistas e anti-racistas incluídos nesta lista, para rescindirem das suas funções políticas e deixarem o território português.

Sendo o prazo ultrapassado, medidas serão tomadas contra estes dirigentes e os seus familiares, de forma a garantir a segurança do povo português. O mês de Agosto será mês da luta contra os traidores da nação e seus apoiantes. O mês de Agosto será o mês do reerguer nacionalista.

Carta aberta pede acção política para combater racismo em Portugal

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Uma carta aberta de várias associações e de colectivos de afrodescendentes e ciganos exigiu esta quarta-feira aos responsáveis políticos que combatam o racismo e o crescimento da extrema-direita em Portugal, e que demonstrem solidariedade às vítimas de ataques raciais.

A iniciativa, com o nome “O silêncio é cúmplice”, pede que os responsáveis políticos e instituições “acionem os mecanismos processuais para combater o racismo e o crescimento da extrema-direita”, e que deem “um sinal inequívoco e público sobre a inaceitabilidade de actos e organizações políticas e partidárias racistas”.

A carta, enviada à Lusa pelo Movimento Negro Portugal, pede ainda que estes “demonstrem a sua solidariedade para com as vítimas destes ataques”.

“A negação e inação sistemáticas é o leito da impunidade do racismo que tem escalado para níveis a que já nos tínhamos desabituado. As nossas vidas importam. O silêncio das instituições é cúmplice”, realça o documento enviado ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e ao primeiro-ministro, António Costa, entre outras responsáveis políticos.

A iniciativa, que junta 34 grupos antirracistas de vários pontos do país, como a SOS Racismo, Movimento Negro, Afrolis, Djass, Consciência Negra, Femafro ou Aurora Negra, destaca que, “no curto espaço de quatro semanas, a sociedade portuguesa foi palco de manifestações racistas”, defendendo que esta escalada exige “uma resposta célere e um posicionamento explícito das entidades competentes num Estado de direito democrático”.

A missiva refere ainda que no sábado, em frente à sede da associação SOS Racismo, em Lisboa, houve “uma parada de um grupo neonazi, de rosto tapado e tochas”, e que perante a “escalada dos ataques” não houve “qualquer demonstração institucional pública de repúdio”.

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