O líder do Chega foi ao facebook explicar o porquê de ter apresentado a sua demissão. Numa mensagem endereçada aos militantes, Ventura diz que este é “um dia particularmente difícil” mas explica que está “farto e cansado daqueles que boicotam o trabalho da direção nacional”, deixando o desafio para que se apresentem a eleições.
“Falo-vos hoje num dia particularmente difícil para o nosso partido, apresentarei ao presidente da mesa nos próximos dias o meu pedido de demissão de presidente da direção nacional do Chega”, começa por anunciar.
E enumera três motivos para esta decisão: “Faço-o essencialmente por três motivos, porque estou farto, estou cansado, daqueles que sistematicamente boicotam o trabalho da direção nacional; que sistematicamente estão contra as posições da direção nacional; e que sistematicamente se empenham mais em atacar o partido, em divulgar mensagens privadas, em divulgar opções internas dos órgãos do partido, do que em ajudar a fazer este partido crescer.
E continua: “o Chega cresceu muito, estamos a disputar neste momento o terceiro ou o quarto lugar da cena política nacional, isso atraiu felizmente uma grande massa da população portuguesa, uma grande energia para nos fazer dar esperança novamente de que é possível construir algo de novo em Portugal, mas também atraiu o pior que a vida política tem, também atraiu o pior que o sistema tem, aqueles que procuram sempre um lugar ao sol, a todo o custo, sem escrúpulos, sem regras, que estão sempre à espera do momento certo para atacar”.
Ventura acusa ainda de estarem a tentar fazer do Chega “uma espécie de segundo PSD, ou segundo PS, ou segundo CDS, e comigo isso nunca acontecerá, não tolerarei nem nunca aceitarei liderar um partido que seja mais um dos partidos do sistema”, sublinha.
Sobre a abstenção na votação do decreto presidencial para a renovação do estado de emergência, Ventura explica: “Votei pela abstenção no estado de emergência, não porque não entenda que não deve haver estado de emergência – o Chega foi o primeiro pedi-lo – mas por entender que nenhuma justificação, nenhum pretexto, pode permitir, entre outras coisas, pôr reclusos na rua. É uma justificação ideológica daqueles que aproveitam a crise para conseguirem aquilo que querem. Não podemos juntar a uma crise económica uma crise de saúde pública, uma crise de impunidade e de criminalidade”, sublinha.
“Fartei-me e cansei-me daqueles que estão sempre internamente a acenar com o fantasma do racismo, que somos demasiados extremistas, que temos de nos moderar. Esta é a linha e a génese do Chega e é esta a linha que temos de levar a cabo e que os portugueses nos pedem, sem medo do discurso de não ser politicamente correto, tudo o contrário será fazer do Chega um novo partido do sistema, igual aos partidos que há 45 anos não conseguem resolver os problemas dos portugueses”, vinca.
Ventura deixa assim o desafio: “é momento daqueles que andaram a fazer este boicote, esta permanente sombra ao trabalho da direção nacional, ao meu trabalho no parlamento, ao trabalho nas redes sociais, nos media, é momento de se apresentarem a eleições, darem-se a conhecer aos militantes, darem a conhecer os projetos que trazem para o Chega e em que é que farão deste partido diferente daqui-lo que tem sido até agora”.
Diz ainda que “não estou agarrado ao poder, se perder a eleição interna no Chega, renunciarei imediatamente ao lugar no Parlamento e voltarei à minha vida, não estou na política para arranjar a minha vidinha, já a tinha antes disto e voltarei a ela sem qualquer problema, mas não me deixarei ir sem luta”, alerta.
O deputado único do partido salienta ainda que “o Chega é demasiado importante, a nossa luta é demasiado importante para que as centenas, talvez milhares de pessoas que chegaram enviesadas e viciadas pelo sistema possam destruí-lo e eu cansei-me de estar a lutar contra todos os inimigos externos e contra aqueles que internamente insistem em boicotar o nosso trabalho. Chega! É o momento de clarificarmos as águas”.
André Ventura apresenta demissão e convoca eleições
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