Venezuelanos temem violência e agravamento da crise humanitária após explosões: “Não é um filme”

Portugueses receiam que ocorram situações de violência.

Executive Digest com Lusa

Voos rasantes de aviões e explosões em várias regiões da capital venezuelana sobressaltaram este sábado a noite da população, incluindo portugueses, intensificando os temores de um agravamento de um conflito com os Estados Unidos para uma guerra.

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Portugueses contactados pela Lusa também disseram recear que ocorram situações de violência e que se agrave a situação de crise humanitária na Venezuela.

“Nas últimas horas aviões norte-americanos foram vistos em várias regiões do país, como Mérida, Miranda, Falcón e Caracas. A simples presença, o ruido dos aviões causa preocupação. Mas hoje fomos acordados com explosões em pelo menos sete lugares da capital, entre eles a base aérea de La Carlota e o Forte de Tiúna, a principal base militar de Caracas”, explicou um português à agência Lusa.

Passavam pouco das 02:00 horas (06:00 horas em Lisboa), quando José Carlos Freitas foi acordado pelo voo a baixa altitude de aviões norte-americanos. Ficou paralisado durante alguns momentos e depois tentou ver o que as redes sociais diziam, até que ouviu várias explosões.

“Reuni toda a família – mulher, filho e mãe – para todos juntos esperarmos para ver como as coisas evoluem”, disse, precisando que ligou também para familiares que estão fora do país, para alertá-los sobre o que aconteceu.

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Valdir Freitas também foi acordado pelo ruído dos aviões e procurou obter mais informações sobre o que se estava a passar. O receio principal, admitiu, era a possibilidade de virem a ocorrer novas explosões.

“É muito difícil e impressionante ouvir os aviões passar, quando sabemos que o que acontece não é um cenário de filme, que qualquer situação pode desencadear danos a vários níveis”, comentou.

Ainda em Caracas, a venezuelana Linnet Garcia seguiu o que acontecia a partir da janela do seu apartamento, nas proximidades do centro da capital. Inicialmente chegou a pensar que algo tinha acontecido perto do palácio presidencial de Miraflores.

“Até agora, o centro, as zonas perto do palácio estão bem”, referiu, precisando que em alguns bairros de Caracas várias pessoas abandonaram as casas e foram para as ruas.

“O conflito chegou a um ponto em que não há marcha atrás, em que é difícil parar. Nunca devíamos ter chegado a este ponto. Que Deus nos guarde de possíveis situações de violência”, disse.

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Mayra Martins entrou em 2026 com receios de um possível agravamento da crise política, económica e social no país.

“Sempre nos ensinaram que devemos ser positivos, acreditar em melhores tempos, mas desde há anos que nos habituamos a viver em crescentes desafios (…). Este ano não há força para a esperança. O mundo está complicado, há vários conflitos e a Venezuela é um desses países”, explicou à Agência Lusa.

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