O governo venezuelano acaba de anunciar que criou uma comissão “ao mais alto nível” para encontrar a verdade sobre a era colonial e exigir “justiça e compensação” a Espanha, mas não só: afinal, já fez várias alusões ao papel então desempenhado por toda a Europa, Portugal incluído.
Segundo fez saber o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, citado pelo diário espanhol ‘ABC’, esta Comissão para a Verdade Histórica, Justiça e Reparação tem um objetivo muito claro: “Clarificar e aprofundar a verdade do colonialismo europeu, os seus crimes, genocídios e pilhagens cometidos na Venezuela, América Latina e Caraíbas.” Na mensagem que publicou na sua conta do Twitter, o presidente venezuelano garante que nada o vai desviar da sua pretensão: “Avançaremos na descolonização da pátria.”
Las Manifestaciones Culturales de Venezuela y las generaciones futuras tienen un destino de grandeza asegurado.
Avancemos hacia la descolonización de nuestra Patria y consolidemos, con voluntad, amor y conciencia, la independencia cultural.
¡Somos Grandes! pic.twitter.com/FFYTNb3PTW
Continue a ler após a publicidade— Nicolás Maduro (@NicolasMaduro) January 26, 2022
Composta por 21 especialistas conhecedores da “luta cultural e histórica”, a comissão é presidida pelo Ministro da Cultura venezuelano, Ernesto Villegas, que já advertiu que não procuram apenas “reivindicações simbólicas” – tais como ” a simples palavra perdão” – mas também também “reivindicações económicas”.
Homenagem a “sangrentas conquistas”?
Recorde-se que não é a primeira vez que o tema é abordado publicamente e que Maduro, em múltiplas outras ocasiões, já tinha apontado o dedo a Espanha, apelando às autoridades para que fizessem uma “retificação histórica dos crimes cometidos pelo império espanhol”.
Em outubro passado, especifica a agência EFE, o presidente venezuelano enviou mesmo uma carta de protesto ao Rei Felipe VI, a propósito do 12 de outubro, data celebrada como Dia da Hispanidade.
“Homenageia as mais sangrentas conquistas”, acusou Maduro, antes de rematar: “É inaceitável que no século XXI uma nação que se orgulha de ser civilizada celebre o pior do seu passado: roubo, pilhagem, racismo e crimes de ódio cometidos durante mais de três séculos de ocupação pelo império espanhol no território de Abya Yala”, escreveu.
Para o governo espanhol, citado pela mesma EFE, trata-se de uma questão enganadora. “A chegada dos espanhóis ao México atual há 500 anos não pode ser julgada com considerações contemporâneas.”



