Venezuela: Regime de Maduro quer compensações pelo “terrível genocídio” de há 500 anos. De Espanha e de toda a Europa, Portugal inclusivé

Em causa está uma compensação para os crimes cometidos durante o período de colonização e para tal já foi criada uma Comissão para a Verdade Histórica, Justiça e Reparação

Executive Digest

O governo venezuelano acaba de anunciar que criou uma comissão “ao mais alto nível” para encontrar a verdade sobre a era colonial e exigir “justiça e compensação” a Espanha, mas não só: afinal, já fez várias alusões ao papel então desempenhado por toda a Europa, Portugal incluído.

Segundo fez saber o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, citado pelo diário espanhol ‘ABC’, esta Comissão para a Verdade Histórica, Justiça e Reparação tem um objetivo muito claro: “Clarificar e aprofundar a verdade do colonialismo europeu, os seus crimes, genocídios e pilhagens cometidos na Venezuela, América Latina e Caraíbas.” Na mensagem que publicou na sua conta do Twitter, o presidente venezuelano garante que nada o vai desviar da sua pretensão: “Avançaremos na descolonização da pátria.”

Composta por 21 especialistas conhecedores da “luta cultural e histórica”, a comissão é presidida pelo Ministro da Cultura venezuelano, Ernesto Villegas, que já advertiu que não procuram apenas “reivindicações simbólicas” – tais como ” a simples palavra perdão” – mas também também “reivindicações económicas”.

Homenagem a “sangrentas conquistas”?

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Recorde-se que não é a primeira vez que o tema é abordado publicamente e que Maduro, em múltiplas outras ocasiões, já tinha apontado o dedo a Espanha, apelando às autoridades para que fizessem uma “retificação histórica dos crimes cometidos pelo império espanhol”.

Em outubro passado, especifica a agência EFE, o presidente venezuelano enviou mesmo uma carta de protesto ao Rei Felipe VI, a propósito do 12 de outubro, data celebrada como Dia da Hispanidade.

“Homenageia as mais sangrentas conquistas”, acusou Maduro, antes de rematar: “É inaceitável que no século XXI uma nação que se orgulha de ser civilizada celebre o pior do seu passado: roubo, pilhagem, racismo e crimes de ódio cometidos durante mais de três séculos de ocupação pelo império espanhol no território de Abya Yala”, escreveu.

Para o governo espanhol, citado pela mesma EFE, trata-se de uma questão enganadora. “A chegada dos espanhóis ao México atual há 500 anos não pode ser julgada com considerações contemporâneas.”

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