Empresários russos estão a contabilizar prejuízos, a questionar a capacidade do Kremlin para proteger infraestruturas críticas e, em alguns casos, a pedir o fim da guerra, depois de drones ucranianos terem atingido vários armazéns da Wildberries, a maior plataforma de comércio eletrónico da Rússia, noticia o ‘Kyiv Post’.
Os ataques prolongaram-se durante vários dias e atingiram importantes centros de distribuição nas regiões de Moscovo, Tambov, Krasnodar e Stavropol. Vídeos publicados nas redes sociais russas mostram enormes armazéns consumidos pelas chamas e densas colunas de fumo sobre as instalações.
Para os milhares de pequenos vendedores que armazenam os seus produtos nos centros logísticos da Wildberries, os incêndios trouxeram o receio de que anos de trabalho e milhões de rublos em mercadoria tenham desaparecido de um momento para o outro.
Attacks on Wildberries warehouses could hit the Russian economy harder than it seems
According to OSINT researcher Chris O’Wiki, the consequences of strikes on Wildberries warehouses could go far beyond the loss of goods estimated at around $1.2 billion.
Continue a ler após a publicidadeWildberries accounts… https://t.co/gkdMtHKzDn pic.twitter.com/ZxzCkLSrD0
— NEXTA (@nexta_tv) July 22, 2026
“É isto, pessoal. Muitas pessoas vão acordar falidas porque o armazém de Krasnodar ardeu. E ainda está a arder”, afirmou um homem num vídeo publicado nas redes sociais. “Os amigos de Krasnodar dizem que está tudo completamente destruído. O que vamos fazer? Não sabemos”, acrescentou, antes de soltar um suspiro.
Outro empresário, visivelmente emocionado, disse já desejar o fim da chamada “operação militar especial”, a expressão usada pelo Kremlin para descrever a invasão da Ucrânia. “Há tanta gente a morrer e tantos empresários a sofrer. Agora temos de apresentar declarações às autoridades fiscais. Não sei o que dizer nem o que fazer”, lamentou.
Drone attacks on Wildberries logistics centers in Krasnodar and Nevinnomyssk, Russia. pic.twitter.com/rvWDEP2GmT
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Um trabalhador de um dos armazéns afirmou ter ficado com medo de regressar ao emprego depois de ver imagens de corpos no chão, explosões e pessoas cobertas de sangue. “Pelo segundo dia consecutivo, tenho medo de ir para o armazém”, admitiu.
“Ansiedade é uma palavra demasiado leve. Parece que vem aí uma tempestade gigantesca”, descreveu Sergei, outro empresário russo, que afirmou esperar novos ataques em breve. Outros funcionários mostraram-se mais resignados. Olga, que trabalha num centro da Wildberries em Shushary, nos arredores de São Petersburgo, garantiu que continuará a apresentar-se ao serviço: “A morte pode encontrar-nos em qualquer lugar e de qualquer maneira.”
As reações revelam uma mistura de medo, indignação e críticas cada vez mais diretas às autoridades russas. Alguns utilizadores acusaram a Ucrânia e a NATO de atacarem deliberadamente civis, mas outros perguntaram por que razão as defesas aéreas russas não conseguiram proteger grandes armazéns localizados no interior do país.
“Se já não conseguem proteger as refinarias, que geram receitas para o orçamento do Estado, o que resta aos cidadãos comuns?”, questionou um utilizador. Outro foi ainda mais longe: “Temos a certeza de que possuímos realmente armas nucleares?”
A mais recente vaga de ataques começou na madrugada de 17 para 18 de julho, quando drones ucranianos atingiram centros da Wildberries em Kotovsk, na região de Tambov, e Elektrostal, cerca de 50 quilómetros a leste de Moscovo. Este último complexo, com aproximadamente 188 mil metros quadrados, era um dos maiores centros da empresa em volume de encomendas.
O incêndio em Elektrostal produziu uma coluna de fumo que, segundo relatos citados pelo jornal, podia ser vista a mais de 200 quilómetros de distância. Os bombeiros combateram as chamas durante mais de um dia. Esta quarta-feira, novos ataques atingiram instalações em Krasnodar e Nevinnomyssk, segundo a fundadora da empresa, Tatyana Kim. Os trabalhadores foram retirados antes dos impactos, embora várias pessoas tenham ficado feridas.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou que os ataques de longo alcance atingiram centros logísticos envolvidos no fornecimento de componentes para drones, equipamentos de navegação e outro material militar às forças russas. Segundo Zelensky, foi também atingido um depósito de petróleo. Para muitos vendedores russos, porém, a consequência imediata é outra: mercadoria destruída, negócios ameaçados e a sensação de que a guerra, até agora distante, chegou finalmente aos seus locais de trabalho.
Zelensky said Ukraine’s overnight strikes on Wildberries warehouses in Russia targeted logistics hubs allegedly used to supply the Russian military with drone components, navigation equipment, and other gear.
Photo: Telegram channels pic.twitter.com/7zBAeM52Uh
— KyivPost (@KyivPost) July 22, 2026
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