Veículos elétricos deixam de ser luxo: estudo revela queda drástica nos preços

Estudo conduzido pelo especialista alemão Ferdinand Dudenhöffer mostra que a diferença média entre 20 modelos populares caiu de mais de 7.500 euros para apenas 1.600 euros num ano

Automonitor
Novembro 12, 2025
13:05

A diferença de preço entre os carros elétricos e os veículos com motor de combustão interna está a atingir o ponto mais baixo de sempre na Europa. Segundo o ‘L’Automobile Magazine’, um estudo conduzido pelo especialista alemão Ferdinand Dudenhöffer mostra que a diferença média entre 20 modelos populares caiu de mais de 7.500 euros para apenas 1.600 euros num ano — uma redução de mais de quatro vezes.

De acordo com o estudo, esta aproximação resulta de um “efeito duplo”: os descontos nos veículos elétricos atingiram uma média de 19% em outubro de 2025, face aos 12,9% registados um ano antes, enquanto os descontos em modelos a combustão estão a diminuir ou mesmo a desaparecer, acompanhando o aumento dos preços base.

A redução também reflete a estratégia de várias marcas — como BMW, Kia, Opel, Seat e BYD — que apostam em promoções mais agressivas, sobretudo em modelos de entrada. A Renault, por exemplo, vai lançar o novo Twingo elétrico por cerca de 20 mil euros, valor que pode descer para 16 mil após subsídios. O novo R5 Five ficará abaixo dos 25 mil euros, e o Citroën ë-C3 também será proposto por menos de 20 mil. No segmento “premium”, a Tesla baixou o preço do Model Y e a BMW reforçou a gama com um Mini elétrico mais acessível.

Apesar da tendência europeia, a realidade francesa mantém disparidades. Um relatório da associação francesa de consumidores UFC-Que Choisir, publicado em abril de 2025, indica que o preço médio de um carro elétrico novo ronda os 42.390 euros, contra 26.774 euros para um modelo a combustão. A redução dos incentivos à compra — que passaram de 1,5 mil milhões em 2023 para 700 milhões de euros em 2025 — agrava a diferença, sobretudo entre citadinos compactos como o Peugeot 208 e o Fiat 500.

O mesmo inquérito revela que 63% dos consumidores franceses não equacionam comprar um carro elétrico, enquanto apenas 8,6% consideram seriamente essa hipótese e 28,5% permanecem indecisos.

Custos de utilização favorecem os elétricos

Ainda assim, o custo total de propriedade tende a favorecer os veículos elétricos. O estudo alemão destaca que, além do preço de compra, devem ser considerados fatores como energia, manutenção e valor residual. A eletricidade continua a ser, em média, três vezes mais barata do que a gasolina por quilómetro, e a menor necessidade de manutenção — devido à travagem regenerativa — pode gerar poupanças anuais de até 1.200 euros para quem percorre 15 mil quilómetros por ano.

Produção europeia e regulação em mudança

A consultora Dudenhöffer prevê que a diferença de preços continue a diminuir com o aumento da produção e a entrada de novas fábricas europeias, muitas delas impulsionadas por grupos chineses. O reforço da capacidade industrial no continente permitirá reduzir custos logísticos e beneficiar de apoios governamentais destinados a veículos fabricados na Europa.

A 10 de dezembro, a Comissão Europeia deverá apresentar um novo quadro regulatório que visa facilitar a produção de carros elétricos mais pequenos e acessíveis. No entanto, será necessário encontrar um equilíbrio entre custos, autonomia e segurança, num mercado em rápida transformação.

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