Varíola dos macacos: vírus pode permanecer no organismo durante 10 semanas, aponta estudo

Autor do estudo, Hugh Adler, da Escola de Medicina Tropical de Liverpool, no Reino Unido, mostrou-se “surpreendido” que a varíola dos macacos possa ser detetada na garganta e no sangue por tanto tempo

Francisco Laranjeira

O vírus da varíola dos macacos pode permanecer no organismo por 10 semanas, mesmo depois da erupção cutânea ter desaparecido, segundo alertaram os cientistas, que não acreditam que os pacientes possam ser contagiosos por tanto tempo, embora sublinhem ser uma “grande questão sem resposta”. As conclusões resultam da análse dos sete casos anteriores do Reino Unido, detetados entre 2018 e 2021.

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Até agora, 71 britânicos já contraíram a varíola dos macacos, num surto que tem feito dispara os alarmes em todo o mundo, um número que se tem revelado desproporcional em homens homossexuais ou bissexuais.

Um dos sete casos anteriores do Reino Unido – um homem de 40 anos, que contraiu o vírus na Nigéria antes de ser hospitalizado na Grã-Bretanha – ainda testou positivo 76 dias depois da primeia infeção, segundo revelou o estudo, embora os médicos acreditem que tenha sofrido uma recaída depois de manter relações sexuais.

O autor do estudo, Hugh Adler, da Escola de Medicina Tropical de Liverpool, no Reino Unido, mostrou-se “surpreendido” que a varíola dos macacos possa ser detetada na garganta e no sangue por tanto tempo. “Permanece positivo durante a duração da doença e talvez ainda mais após a erupção”, explicou. Tradicionalmente, os pacientes com a varíola dos macacos são considerados infeciosos enquanto apresentam erupções e lesões características, que tendem a cicatrizar e cair após algumas semanas. O homem teve uma segunda erupção cutânea, o que provavelmente significa que estaria infecioso novamente.

Adler alertou que serão necessárias mais pesquisas para confirmar se o vírus pode ser transmissível após o desaparecimento da erupção cutânea característica. “Não vemos, no nosso artigo, qualquer sinal de que esses pacientes sejam infeciosos por mais tempo do que a erupção cutânea”, explicou o especialista. “Mas é uma descoberta muito notável que não foi demonstrada antes que muda a nossa compreensão de como a doença funciona.”

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