O Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC) afirmou esta quinta-feira que “se as vacinas da varíola estiverem disponíveis, deve considerar-se a vacinação de contatos de alto risco de pessoas infetadas com varíola dos macacos”, ponderando em cada caso o risco-benefício, segundo o ‘La Vanguardia’.
A existência de vacinas deve-se às reservas nacionais armazenadas, uma vez que a varíola deixou de ser administrada e fabricada em 1980, pois um ano antes, a Organização Mundial da Saúde (OMS) considerou a doença erradicada no mundo.
O Monkeypox, como também é conhecido, não é o mesmo que a varíola, este vírus é uma variedade em animais e os casos humanos são geralmente poucos (devido ao contato com animais infetados), mais ligeiros e curam-se em cerca de três semanas.
Além disso, é de pouca transmissão entre humanos, segundo a experiência da OMS nos surtos ocorridos desde que a infeção foi detetada em 1970 na África. É aí que tem surgido a maioria dos casos nestas décadas, principalmente entre crianças e com uma mortalidade nunca superior a 10%.
No entanto, o ECDC admite que “dada a frequência incomum de transmissão de humano para humano” dos surtos atuais e “a provável transmissão comunitária” entre pessoas que não viajaram para países onde esta infeção é mais comum, o risco de contágio deve ser considerado.
Esse risco, adianta, é considerado alto em atividades com grande proximidade física, como relações sexuais, enquanto o risco de contágio é baixo se não houver contato entre as pessoas.
O ECDC recomenda ainda os profissionais de saúde a fazerem um “diagnóstico diferencial para indivíduos que apresentem sintomas clínicos compatíveis” e que entrem “em contacto com serviços especializados”, deixando o alerta para comportamentos de risco:
“As organizações de saúde pública e organizações baseadas na comunidade devem tomar medidas para aumentar a conscientização sobre a potencial disseminação da varíola em comunidades de indivíduos que se identificam como MSM (sigla inglesa para homens que fazem sexo com homens) ou fazem sexo casual ou que têm múltiplos parceiros sexuais”, aponta.
Dos casos confirmados até ontem à noite no Reino Unido e até em Portugal, praticamente todos são em jovens que declararam ter feito sexo com outros homens.
O Monkeypox não é considerado um vírus sexualmente transmissível e de acordo com o ECDC, esses casos atuais são os primeiros já relatados entre homossexuais. O vírus é geralmente contraído pelo contato com um animal infetado (em África geralmente são macacos, ratos, esquilos) ou, entre pessoas, é transmitido pela via respiratória ou pelo contato com fluidos de animais infetados.
Em Portugal subiu para 14 o número de casos de infeção pelo vírus Monkeypox. “A DGS informa que foram confirmados mais nove casos de infeção humana por vírus Monkeypox em Portugal, havendo, até ao momento, 14 casos confirmados”, referiu ontem em comunicado.
De acordo com a DGS, os novos casos foram confirmados pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), ao final da tarde de quarta-feira, “existindo ainda duas amostras em análise”. Saiba aqui tudo sobre este vírus.












