Varíola dos Macacos: Autoridades de saúde espanholas em alerta com oito casos suspeitos

Em Portugal, a Direção Geral da Saúde (DGS) revelou hoje que já há cinco casos confirmados da doença, num total de mais de 20 suspeitos. 

Simone Silva

O Ministério da Saúde e as comunidades autónomas de Espanha lançaram um alerta sanitário depois de detetar oito casos suspeitos de varíola dos macacos em Madrid, avança o ‘El País’.

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Segundo o jornal, o alerta, lançado na tarde de terça-feira, surge apenas dois dias depois de a Agência de Segurança da Saúde do Reino Unido ter comunicado a existência de um surto no país que afetou sete pessoas.

Em Portugal, a Direção Geral da Saúde (DGS) revelou hoje que já há cinco casos confirmados da doença, num total de mais de 20 suspeitos.

O sistema de alerta de saúde espanhol pediu às comunidades que notifiquem “com urgência” os serviços de saúde pública de pacientes com sintomas compatíveis com a definição de caso partilhada internacionalmente pelas autoridades britânicas.

Este contempla como “caso em investigação” qualquer paciente “com exantema vesicular [erupção com bolhas] sem causa explicável em qualquer parte do corpo”; que também apresenta um ou mais dos seguintes sintomas: febre acima de 38,5 graus, dor de cabeça intensa, dores musculares e articulares e linfonodos inchados.

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“Foi aberto um alerta no Centro Nacional de Microbiologia (CNM) para onde as amostras terão que ser enviadas caso sejam detetados casos que atendam à definição. Estamos a trabalhar num procedimento para tratar esses casos e os seus contatos”, lê-se no comunicado emitido pelas autoridades espanholas.

Os oito casos que agora estão a ser investigados em Madrid foram detetados no Centro de Saúde Sandoval, na capital, uma unidade de referência no diagnóstico e tratamento de doenças sexualmente transmissíveis e outras, que afetam principalmente grupos como os homossexuais.

O diretor do Centro de Coordenação de Alertas e Emergências Sanitárias (CCAES) do Ministério da Saúde, Fernando Simón, explicou esta manhã em Valência que “não é provável que a varíola gere uma transmissão significativa [em Espanha], mas não é possível ser descartado.” Por isso, acrescentou, agora é necessário tomar medidas extremas de vigilância e investigar todas as hipóteses sobre as vias de contágio.

A varíola dos macacos ou Monkeypox é uma doença causada por um vírus endémico das áreas de selva do continente africano, onde vários mamíferos podem transmiti-lo aos humanos.

A doença causa uma erupção cutânea evidente na pele e a letalidade nos surtos registados na África atinge entre 1% e 10% dos afetados, especialmente em crianças pequenas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

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Nos países desenvolvidos, onde quase não houve surtos, considera-se que a mortalidade seria muito menor devido às melhores condições de saúde da população e dos serviços de saúde disponíveis.

A propagação do vírus geralmente requer contato próximo, pois acontece  principalmente ao tocar nos fluidos corporais do portador, embora também seja possível que ocorra através de gotas de saliva.

A incubação costuma durar de 6 a 13 dias (podendo durar até 21) e a doença, para a qual não há tratamento específico ou vacina, remite na maioria dos casos após duas ou três semanas de desconforto intenso.

A maior preocupação dos especialistas é a magnitude que o atual surto está a ganhar, com casos confirmados no Reino Unido e Portugal, e agora também suspeitos em Espanha. O medo é que o vírus esteja a circular comunitariamente entre grupos de homens que mantêm relações do mesmo sexo.

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