Vai de viagem para Itália? Greve de hoje cancela dezenas de voos e causa perturbações nos aeroportos do país

O setor do transporte aéreo em Itália enfrenta esta quarta-feira uma nova greve nacional que está a provocar cancelamentos de voos e fortes constrangimentos nos principais aeroportos do país.

Pedro Gonçalves
Dezembro 17, 2025
8:30

O setor do transporte aéreo em Itália enfrenta esta quarta-feira uma nova greve nacional que está a provocar cancelamentos de voos e fortes constrangimentos nos principais aeroportos do país. A paralisação, convocada por vários sindicatos de base, decorre entre as 13:00 e as 17:00 (hora local, menos uma hora em Lisboa) e insere-se num protesto mais amplo contra a proposta orçamental do Governo liderado por Giorgia Meloni.

A greve envolve trabalhadores de terra, funcionários de check-in, manuseamento de bagagens, embarque e assistência em escala, bem como controladores de tráfego aéreo, em particular em Roma. A paralisação sucede a uma anterior greve nacional, realizada a 28 de novembro, que chegou a paralisar grande parte do país.

Entre as companhias mais afetadas está a Ita Airways, que anunciou o cancelamento de 72 voos internacionais e domésticos, num total de cerca de 320 ligações programadas para este período. Trata-se da primeira greve nacional unificada da companhia, convocada em conjunto por várias estruturas sindicais e associações profissionais.

Ita Airways cancela 72 voos e aconselha passageiros a confirmarem viagens
Perante a greve desta quarta-feira, a Ita Airways apelou aos passageiros com bilhetes marcados para o dia 17 de dezembro para que confirmem previamente o estado dos seus voos antes de se deslocarem para o aeroporto, através do site oficial da companhia ou junto das agências de viagens onde efetuaram a compra.

Os passageiros afetados por cancelamentos ou alterações significativas de horário poderão alterar a sua reserva sem penalizações ou solicitar o reembolso do bilhete, nos casos em que o voo tenha sido cancelado ou sofra um atraso igual ou superior a cinco horas. Estes pedidos podem ser efetuados até 24 de dezembro de 2025, através da linha telefónica da companhia ou das agências de viagens.

Os maiores transtornos são esperados na região de Roma, onde os controladores de tráfego aéreo da Enav aderiram à greve convocada pelos sindicatos Filt-Cgil, Ugl Ta e Fast Confsal Av. No mesmo período horário, estão também previstas paralisações dos trabalhadores das empresas de handling aeroportuário associadas à Assohandler e do pessoal de terra da Air France-KLM.

Em paralelo, decorre igualmente uma greve dos tripulantes de cabine da Vueling, convocada para o mesmo intervalo horário, o que deverá agravar os constrangimentos nos aeroportos italianos, sobretudo em Roma-Fiumicino.

Sindicatos apontam três motivos centrais para a greve
Os sindicatos justificam a greve com três reivindicações principais. A primeira prende-se com a renovação do contrato coletivo nacional e com aumentos salariais. Segundo as estruturas sindicais, o contrato inicial da Ita Airways implicou uma redução dos custos laborais entre 30% e 40% face à antiga Alitalia. Apesar de alguma recuperação salarial posterior, os sindicatos estimam que subsista uma diferença de cerca de 20% relativamente aos contratos médios do grupo Lufthansa.

Na plataforma reivindicativa conjunta, os sindicatos exigem um aumento global entre 20% e 22% ao longo de três anos, criticando a proposta da empresa, que prevê um acréscimo máximo de 2% ao ano nos custos laborais até 2028.

O segundo motivo relaciona-se com o plano industrial da companhia. Os sindicatos defendem mais investimento na frota, de forma a permitir o regresso de antigos trabalhadores da Alitalia ainda abrangidos por mecanismos extraordinários de apoio e a estabilização de contratos a termo. O plano da empresa prevê a aquisição de apenas um avião de longo curso por ano entre 2026 e 2030, um total considerado insuficiente para garantir o crescimento da transportadora.

O terceiro ponto de discórdia diz respeito ao pagamento do prémio de desempenho. Os sindicatos acusam a empresa de ter pago apenas parcialmente o bónus associado ao índice Net Promoter Score, que mede a satisfação e lealdade dos clientes. Segundo explicam, caso o índice ultrapassasse os 125 pontos, deveria ser pago 200% do prémio, mas apenas foram pagos 132%, ficando por liquidar a parte restante. A empresa sustenta, por sua vez, que cumpriu o compromisso assumido, ao reconhecer um pagamento “até 200%”.

Tripulantes da Vueling protestam contra despedimentos e encerramento de base
A greve dos tripulantes de cabine da Vueling está ligada à decisão da companhia de encerrar a base de Roma-Fiumicino e avançar com o despedimento de mais de 80 assistentes de bordo. Segundo os sindicatos, a empresa não respeitou disposições do contrato coletivo e tem recorrido de forma sistemática a pessoal estrangeiro em território italiano.

As estruturas sindicais contestam a justificação económica apresentada pela companhia, sublinhando que os voos continuam a operar com elevada taxa de ocupação e que existem soluções para manter o emprego dos trabalhadores, seja através da continuação das rotas, seja por recolocação noutras bases da empresa, em Itália ou no estrangeiro.

Os sindicatos apelam à abertura de um diálogo com a Vueling para evitar “os efeitos sociais de uma decisão absolutamente evitável”, defendendo que a situação pode ser resolvida sem recurso a despedimentos.

Com esta greve de quatro horas, o setor do transporte aéreo em Itália volta a ser fortemente afetado, numa jornada de protesto que coincide com um período de grande movimentação de passageiros e que deverá continuar a causar perturbações ao longo do dia nos aeroportos do país.

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