Vai de viagem para Itália? Greve de hoje cancela dezenas de voos e causa perturbações nos aeroportos do país

O setor do transporte aéreo em Itália enfrenta esta quarta-feira uma nova greve nacional que está a provocar cancelamentos de voos e fortes constrangimentos nos principais aeroportos do país.

Pedro Zagacho Gonçalves

O setor do transporte aéreo em Itália enfrenta esta quarta-feira uma nova greve nacional que está a provocar cancelamentos de voos e fortes constrangimentos nos principais aeroportos do país. A paralisação, convocada por vários sindicatos de base, decorre entre as 13:00 e as 17:00 (hora local, menos uma hora em Lisboa) e insere-se num protesto mais amplo contra a proposta orçamental do Governo liderado por Giorgia Meloni.

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A greve envolve trabalhadores de terra, funcionários de check-in, manuseamento de bagagens, embarque e assistência em escala, bem como controladores de tráfego aéreo, em particular em Roma. A paralisação sucede a uma anterior greve nacional, realizada a 28 de novembro, que chegou a paralisar grande parte do país.

Entre as companhias mais afetadas está a Ita Airways, que anunciou o cancelamento de 72 voos internacionais e domésticos, num total de cerca de 320 ligações programadas para este período. Trata-se da primeira greve nacional unificada da companhia, convocada em conjunto por várias estruturas sindicais e associações profissionais.

Ita Airways cancela 72 voos e aconselha passageiros a confirmarem viagens
Perante a greve desta quarta-feira, a Ita Airways apelou aos passageiros com bilhetes marcados para o dia 17 de dezembro para que confirmem previamente o estado dos seus voos antes de se deslocarem para o aeroporto, através do site oficial da companhia ou junto das agências de viagens onde efetuaram a compra.

Os passageiros afetados por cancelamentos ou alterações significativas de horário poderão alterar a sua reserva sem penalizações ou solicitar o reembolso do bilhete, nos casos em que o voo tenha sido cancelado ou sofra um atraso igual ou superior a cinco horas. Estes pedidos podem ser efetuados até 24 de dezembro de 2025, através da linha telefónica da companhia ou das agências de viagens.

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Os maiores transtornos são esperados na região de Roma, onde os controladores de tráfego aéreo da Enav aderiram à greve convocada pelos sindicatos Filt-Cgil, Ugl Ta e Fast Confsal Av. No mesmo período horário, estão também previstas paralisações dos trabalhadores das empresas de handling aeroportuário associadas à Assohandler e do pessoal de terra da Air France-KLM.

Em paralelo, decorre igualmente uma greve dos tripulantes de cabine da Vueling, convocada para o mesmo intervalo horário, o que deverá agravar os constrangimentos nos aeroportos italianos, sobretudo em Roma-Fiumicino.

Sindicatos apontam três motivos centrais para a greve
Os sindicatos justificam a greve com três reivindicações principais. A primeira prende-se com a renovação do contrato coletivo nacional e com aumentos salariais. Segundo as estruturas sindicais, o contrato inicial da Ita Airways implicou uma redução dos custos laborais entre 30% e 40% face à antiga Alitalia. Apesar de alguma recuperação salarial posterior, os sindicatos estimam que subsista uma diferença de cerca de 20% relativamente aos contratos médios do grupo Lufthansa.

Na plataforma reivindicativa conjunta, os sindicatos exigem um aumento global entre 20% e 22% ao longo de três anos, criticando a proposta da empresa, que prevê um acréscimo máximo de 2% ao ano nos custos laborais até 2028.

O segundo motivo relaciona-se com o plano industrial da companhia. Os sindicatos defendem mais investimento na frota, de forma a permitir o regresso de antigos trabalhadores da Alitalia ainda abrangidos por mecanismos extraordinários de apoio e a estabilização de contratos a termo. O plano da empresa prevê a aquisição de apenas um avião de longo curso por ano entre 2026 e 2030, um total considerado insuficiente para garantir o crescimento da transportadora.

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O terceiro ponto de discórdia diz respeito ao pagamento do prémio de desempenho. Os sindicatos acusam a empresa de ter pago apenas parcialmente o bónus associado ao índice Net Promoter Score, que mede a satisfação e lealdade dos clientes. Segundo explicam, caso o índice ultrapassasse os 125 pontos, deveria ser pago 200% do prémio, mas apenas foram pagos 132%, ficando por liquidar a parte restante. A empresa sustenta, por sua vez, que cumpriu o compromisso assumido, ao reconhecer um pagamento “até 200%”.

Tripulantes da Vueling protestam contra despedimentos e encerramento de base
A greve dos tripulantes de cabine da Vueling está ligada à decisão da companhia de encerrar a base de Roma-Fiumicino e avançar com o despedimento de mais de 80 assistentes de bordo. Segundo os sindicatos, a empresa não respeitou disposições do contrato coletivo e tem recorrido de forma sistemática a pessoal estrangeiro em território italiano.

As estruturas sindicais contestam a justificação económica apresentada pela companhia, sublinhando que os voos continuam a operar com elevada taxa de ocupação e que existem soluções para manter o emprego dos trabalhadores, seja através da continuação das rotas, seja por recolocação noutras bases da empresa, em Itália ou no estrangeiro.

Os sindicatos apelam à abertura de um diálogo com a Vueling para evitar “os efeitos sociais de uma decisão absolutamente evitável”, defendendo que a situação pode ser resolvida sem recurso a despedimentos.

Com esta greve de quatro horas, o setor do transporte aéreo em Itália volta a ser fortemente afetado, numa jornada de protesto que coincide com um período de grande movimentação de passageiros e que deverá continuar a causar perturbações ao longo do dia nos aeroportos do país.

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