Vacinas contra a Covid-19 podem revelar-se ineficazes dentro de um ano, alertam especialistas

As conclusões são de uma pesquisa que contou com o testemunho de 77 epidemiologistas, virologistas e especialistas em doenças infeciosas, de 28 países.

Simone Silva

Pode faltar um ano, ou até menos, para que as atuais vacinas se tornem ineficazes e seja necessário criar outras devidamente atualizadas, de acordo com uma pesquisa que contou com o testemunho de epidemiologistas, virologistas e especialistas em doenças infeciosas, citada pelo ‘The Guardian.

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Os cientistas há muito que sublinham que um esforço global de vacinação é necessário para neutralizar de forma satisfatória a ameaça da Covid-19. Tal deve-se à ameaça de novas variantes do vírus – algumas mais transmissíveis, mortais e menos suscetíveis às vacinas – que estão a surgir com cada vez mais frequência.

A previsão sombria de um ano ou menos (até que sejam necessárias novas vacinas) vem de dois terços dos inquiridos, segundo a People’s Vaccine Alliance, uma coligação de organizações, que realizou a pesquisa junto de 77 cientistas de 28 países. Quase um terço dos participantes indicou que o prazo era provavelmente de nove meses ou menos.

A baixa cobertura vacinal persistente em muitos países torna ainda mais provável o aparecimento de mutações resistentes à vacina, segundo 88% dos inquiridos, que trabalham em instituições reconhecidas como Johns Hopkins, Yale, Imperial College, London School of Hygiene & Tropical Medicine e a Universidade de Edimburgo.

“Novas mutações surgem todos os dias. Às vezes, encontram um nicho que as torna mais propensas (à transmissão) do que os seus antecessores. Estas variantes podem transmitir-se de forma mais eficiente e potencialmente evadir as respostas imunológicas às estirpes anteriores”, explicou Gregg Gonsalves, professor de epidemiologia da Universidade de Yale, em comunicado, citado pelo jornal britânico.

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“A menos que vacinemos todas as pessoas do mundo, deixamos o campo de jogo aberto para mais e mais mutações, que podem produzir variantes capazes de resistir às nossas vacinas atuais e exigir doses de reforço para as combater”, acrescentou.

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