Vacinação? “Baixámos os braços com a saída de Gouveia e Melo”, critica Ordem dos Médicos

Miguel Guimarães critica hipótese de suspensão de isolamento no dia das eleições legislativas

Francisco Laranjeira

O bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, defendeu esta quarta-feira a reabertura das escolas, por entre críticas ao processo de vacinação e a ideia de suspender o isolamento durante as eleições legislativas. Em declarações à ‘CNN Portugal’, o bastonário não hesitou e defendeu que as escolas, no próximo dia 10, devem abrir.

“Não tenho dúvidas nenhumas que só temos a ganhar em abrir as escolas. É fundamental para as crianças, para os professores e para as pessoas que lá trabalham que as escolas sejam abertas”, afirmou.

O processo de vacinação conheceu em Portugal um atraso, segundo Miguel Guimarães, que exortou as autoridades de saúde, em particular a diretora-geral da Saúde, “a acelerar o processo de vacinação” de forma a poder abrir as escolas com mais segurança. “Não vale a pena a doutora Graça Freitas dizer que ontem vacinámos 60 ou 80 mil. Nós precisamos vacinar 100 ou 120 mil. Nós vamos vacinar os professores e as crianças no fim de semana antes de começar as aulas. A vacina precisa de tempo para ser eficaz”, esclareceu.

Os motivos pelo atraso são, segundo o bastonário da Ordem dos Médicos, a saída do vice-almirante Gouveia e Melo, que deixou cerca de 85% da população com o esquema vacinal completo. Desde então, considera Miguel Guimarães, baixou-se os braços. “Dá-me ideia de que baixámos os braços. Portugal hesitou, teve ali um tempo de semanas em que se perderam muitos dias”, reforçou.

O Presidente da República admitiu, no final da reunião do Infarmed, que está a ser ponderada uma suspensão no dia das eleições para que as pessoas em isolamento possam ir votar. Miguel Guimarães considera esta uma má hipótese e insiste que se devia “agilizar os processos eleitorais” de forma a que as pessoas em isolamento possam “também elas votar”, com processos como o voto eletrónico.

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“Não me parece uma grande ideia. Se nós vamos quebrar uma regra para as pessoas poderem ir votar e não o fizemos para as pessoas estarem juntas no Natal ou noutras alturas igualmente importantes não me parece, de facto, uma grande ideia”, finalizou.

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