Investigadores da Universidade McMaster descobriram que as crianças que recebem, anualmente, a sua dose contra o vírus da gripe em circulação nessa estação desenvolvem anticorpos que também fornecem uma protecção mais ampla contra novas estirpes. Incluindo as capazes de causar pandemias. O facto é ainda mais surpreendente pelo facto de não ter o mesmo efeito nos adultos.
Relatada esta sexta-feira, 4, na revista Cell Reports Medicine, a descoberta pode abrir caminho ao desenvolvimento de uma vacina universal contra o vírus da gripe para as crianças, especialmente vulneráveis a complicações graves, como pneumonia, desidratação e, em casos mais raros, a morte.
O dado torna-se ainda mais importante quando é adquirido que se sabe ainda muito pouco sobre o impacto da vacinação contra a gripe sazonal na resposta imunitária das crianças – que são uma das principais fontes de transmissão daquele vírus. Como explica Matthew Miller, principal autor do estudo e professor associado do Michael G. DeGroote Institute for Infectious Diseases Research, a descoberta agora anunciada permite não só “compreender como a vacinação anual e as diferentes formulações de vacinas moldam a imunidade infantil” mas também como avançar para uma “prevenção eficaz”.
Para já, é claro que crianças e adultos têm respostas imunitárias muito diferentes ao vírus da gripe. Por exemplo, adianta ainda Miller, ao contrário das crianças pequenas, a maioria dos adultos foi infectada e vacinada contra a gripe muitas vezes ao longo das suas vidas. “Quando damos vacinas a adultos, eles não desenvolvem este tipo de imunidade que verificámos nas crianças”.
Até chegarem a esta conclusão, os investigadores passaram três anos a estudar as respostas imunitárias em crianças entre os 6 meses e os 17 anos de idade. Foi assim que descobriram que, à medida que cresciam, tornava-se menos capazes de produzir anticorpos amplamente protectores, tudo devido à sua exposição repetida à gripe, seja pela infeção ou pela vacinação. E esta é uma questão que preocupa cada vez mais os cientistas. Afinal, apesar de as medidas de proteção contra a Covid-19 tenham provocado uma baixa nas taxas de gripe, o seu regresso é mais que certo. E, ao que avisa Miller, “possivelmente sob formas perigosas”.







