Portugal vai alargar o acesso gratuito à vacina contra o vírus do papiloma humano (HPV), permitindo a vacinação de mulheres até aos 26 anos e introduzindo uma extensão faseada para os homens. A atualização da estratégia integra o Programa Nacional de Vacinação e reforça a aposta na prevenção de cancros associados ao vírus.
A medida foi formalizada através de uma nova norma da Direcção-Geral da Saúde (DGS), que redefine os limites etários e ajusta o esquema de vacinação tardia, mantendo como base a imunização universal aos 10 anos.
De acordo com a norma da Direcção-Geral da Saúde, o esquema recomendado mantém-se inalterado na sua base: rapazes e raparigas devem ser vacinados aos 10 anos, em duas doses com intervalo de seis meses. A vacina utilizada é a nonavalente, comercialmente conhecida como Gardasil 9.
A principal mudança incide na vacinação tardia, destinada a quem não foi vacinado na idade recomendada. Assim, mulheres e homens que não tenham recebido a vacina devem fazê-lo até aos 18 anos.
Mulheres podem ser vacinadas até aos 26 anos
Após a maioridade, o novo enquadramento estabelece diferenças entre sexos. As mulheres que não completaram o esquema vacinal recomendado passam a poder ser vacinadas gratuitamente até aos 26 anos.
Já no caso dos homens, o alargamento será progressivo. Neste momento, estão abrangidas as coortes de nascimento entre 2000 e 2002, correspondendo a jovens entre os 24 e os 26 anos. A extensão aos nascidos entre 2003 e 2008 — ou seja, homens entre os 18 e os 23 anos — será feita “em anos subsequentes de implementação”, segundo a nova norma.
Esquema simplificado e nova idade limite de início
A atualização da estratégia elimina a anterior regra de três doses em vacinação tardia a partir dos 15 anos, reservando esse esquema apenas para pessoas com imunidade comprometida.
A idade máxima para iniciar a vacinação tardia passa agora para os 26 anos, permitindo completar o esquema até aos 27, o que representa um alargamento significativo face ao limite anterior, que era de 17 anos. A idade mínima de vacinação mantém-se nos nove anos.
Na norma assinada pela diretora-geral da Saúde, Rita Sá Machado, sublinha-se que “a vacinação contra o vírus do papiloma humano é uma das medidas mais custo-efectivas para a prevenção do cancro do colo do útero e de outros cancros relacionados com o HPV”.
Uma vacina central na prevenção do cancro do colo do útero
O HPV é um vírus de transmissão sexual responsável pela maioria dos casos de cancro do colo do útero, mas também por cancros do ânus, orofaringe, pénis, vulva e vagina.
A vacinação foi introduzida no Programa Nacional de Vacinação em 2008, inicialmente dirigida a raparigas de 13 anos. Posteriormente, a idade de vacinação foi antecipada para os 10 anos e alargada a raparigas até aos 18 anos. Em 2020, passou também a abranger rapazes da mesma idade.
A decisão de alargar a cobertura até aos 26 anos já tinha sido anunciada em setembro do ano passado pela secretária de Estado da Saúde, Ana Povo, que afirmou então a intenção de “pôr Portugal como um país sem HPV e livre do cancro do colo do útero”.
Eficácia comprovada e impacto na prevenção
Fora do programa público, cada dose da vacina custa cerca de 135 euros. Ainda assim, a sua utilização é recomendada em vários contextos clínicos, incluindo situações de maior risco.
Desde 2022, o Hospital de São João, no Porto, disponibiliza gratuitamente a vacina a mulheres com menos de 65 anos diagnosticadas com lesões de alto grau no colo do útero, vagina e vulva, associadas a risco de progressão para cancro. Estudos indicam que, nestes casos, a vacinação pode reduzir em cerca de 80% o risco de recorrência da doença.




