Uma vacina para a covid-19 não estará pronta até o final do próximo ano, de acordo com Dale Fisher, presidente da Rede Global de Alerta e Resposta a Surtos da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Esta linha do tempo é uma expectativa “muito razoável” atendendo aos ensaios de Fase 2 e 3 necessários a qualquer vacina, visando garantir segurança e eficácia, explicou Fisher. Também seria necessário aumentar a produção e distribuição, além de administrar a vacina, afirmou à CNBC.
Os estudos que vamos fazendo permitirão que a “recolha antecipada de dados” avalie se a potencial vacina “realmente funciona”, antes de passarmos a estudos maiores sobre segurança e eficácia, acrescentou Fisher.
Sobre os comentários do Presidente Donald Trump, no domingo passado, de que estava confiante de que uma vacina contra o coronavírus seria desenvolvida até o final de 2020, afirma que são “um pouco prematuros”.
Enquanto isso, Severin Schwan, CEO da gigante farmacêutica Roche , também expressou algum ceticismo quanto ao prazo proposto pelo Presidente norte-americano, defendendo que o final deste ano é “certamente uma meta ambiciosa”.
“Mas ainda assim, normalmente levaria anos para desenvolver um novo medicamento. A maioria dos especialistas concorda que levará pelo menos 12 a 18 meses até termos uma vacina disponível nas quantidades necessárias para os pacientes”.
Um caminho a percorrer
Os resultados preliminares de ensaios clínicos para o remdesivir antiviral da Gilead Sciences têm sido promissores, indicando que podem reduzir o tempo de recuperação de pacientes hospitalizados com coronavírus. Desde então, a Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA concedeu autorização de uso de emergência para o medicamento.
Apesar das informações muito positivas sobre o remdesivir, ainda está longe de ser a “droga maravilha” comprovada que gostaríamos de ver, de acordo com Fisher.
Em sua opinião, a melhor defesa contra a covid-19 seria uma vacina que “obteria imunidade do público”. A imunidade natural do coletivo não era o caminho a seguir, disse ainda, mas tornou-se relevante já que se refere a uma situação em que um número suficiente de pessoas numa população se tornou imune a uma doença, de modo que efetivamente impede a propagação da doença.
Até que uma vacina esteja pronta, cada indivíduo precisa entender o seu papel na saúde pública, disse Fisher, acrescentando que é preciso haver “mensagens” contínuas, em vez de apenas confiar em medidas de rastreamento de contactos ou esforços simples como o distanciamento social.




