Vacina contra a Covid-19 não estará “massivamente disponível antes de 2022”, alerta OMS

A cientista-chefe da Organização Mundial da Saúde (OMS), Soumya Swaminathan, alertou, esta quarta-feira, que não espera que possíveis vacinas contra a Covid-19 estejam disponíveis para a população em geral antes de 2022, embora sejam os primeiros grupos de risco possam vir a ser imunizados em meados de 2021, avança a agência ‘Efe’.

“Muitos pensam que no início do ano que vem chegará uma panaceia que resolverá tudo, mas não será assim: é um longo processo de avaliação, licenciamento, produção e distribuição”, disse a especialista indiana numa sessão de perguntas e respostas, na conferência que a organização promoveu hoje nas redes sociais.

Swaminathan indicou ainda que o cenário mais otimista da organização é a chegada das primeiras vacinas a vários países em meados do próximo ano, altura em que deverá ser dada prioridade aos grupos de maior risco, visto que ainda não terão sido produzidas doses para toda a sociedade.

“É a primeira vez na história que precisamos de biliões de doses de uma vacina”, disse a cientista-chefe da OMS, que explicou que, no máximo, nas massivas campanhas anuais de vacinação contra outras doenças, se atingem centenas de milhões de dose.

Na seleção dos grupos prioritários para receber a vacina, insistiu que “os profissionais de saúde devem ser os primeiros, e assim que chegarem mais doses tem que se chegar aos mais velhos, pessoas com outras doenças, para assim se ir cobrindo mais e mais população, num processo que levará alguns anos”, reforçou.

Até então, enfatizou Swaminathan, “as pessoas devem ser disciplinadas”, o que implica que as medidas preventivas atuais (distanciamento físico, máscaras, higienização das mãos …) ou semelhantes devem continuar.

A cientista também explicou o funcionamento do COVAX, programa com o qual a OMS e outros organismos internacionais auxiliam financeiramente na pesquisa de vacinas contra a Covid-19 em troca de garantir a sua distribuição no mundo e não apenas nas nações mais ricas.

Swaminathan destacou que cerca de 100 países em desenvolvimento podem beneficiar com este programa e que mais de 70 demonstraram interesse em participar.

Para isso, a COVAX está em negociações com as principais empresas e instituições que pesquisam vacinas contra a Covid-19 em todo o mundo para adquirir grandes quantidades de doses quando comprovadas eficácia e segurança.

“Alguns fabricantes propõem preços de custo, enquanto outros sugerem que sejam menores ou maiores dependendo se o país é mais ou menos rico”, revelou o especialista nas negociações da COVAX com as farmacêuticas.

Sobre o preço aproximado das doses, Swaminathan indicou que atualmente parece que pode variar entre 2 e 30 dólares, embora tenha garantido que o mercado “é muito dinâmico e vai mudar à medida que mais vacinas forem disponibilizadas”.

E também lembrou que a maioria dos estados “vacina os seus cidadãos de graça ou com baixo custo” direto no bolso dos pacientes.

A COVAX faz parte do programa ACT Accelerator da OMS, que não abrange apenas vacinas, mas também ferramentas de diagnóstico e terapias para pacientes com Covid-19.

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