Vacina AstraZeneca: Tromboembolismos são efeitos secundários raros. «Benefícios continuam a superar os riscos», diz diretora da EMA

A diretora da Agência Europeia do Medicamento (EMA, na sigla em inglês), Emer Cooke, esclareceu esta quarta-feira que apesar de se confirmar eventos de trombose «raros» devido à toma da vacina da AstraZeneca, os benefícios continuam a  superar os riscos.

Em conferência de imprensa esta tarde, a responsável referiu que «análise feita à vacina da AstraZeneca confirmou que os benefícios na prevenção da Covid-19 continuam a superar os riscos». «A vacina provou ser altamente eficaz na luta contra a pandemia, pelo que continuamos a aconselhar o seu uso», acrescentou.

Ainda assim, a EMA encontra uma «possível ligação» entre os casos de coágulos sanguíneos e a vacina, motivo pelo qual, estes sintomas «serão incluídos na lista de efeitos secundários raros da mesma», revelou ainda Cooke.

«Não há uma ligação de género, idade, ou pré-condições de saúde nestes casos raros de coágulos sanguíneos», adiantou a diretora da EMA sublinhando que é importante considerar estes sintomas, pelo que os profissionais de saúde «devem estar atentos».

«A EMA está recorda  que os profissionais de saúde e todos os que recebem a vacina que devem estar cientes da possibilidade de ocorrerem casos muito raros de coágulos sanguíneos combinados com níveis baixos de plaquetas sanguíneas nas duas semanas após a vacinação», pode ler-se no comunicado do regulador.

Até agora, a maioria dos casos relatados ocorreu em mulheres com menos de 60 anos de idade nas 2 semanas seguintes à vacinação. «Com base nas evidências atualmente disponíveis, os fatores de risco específicos não foram confirmados», revela a EMA.

Segundo o regulador europeu, foram registados 62 casos de trombose do seio venoso cerebral e 24 casos de trombose venosa esplâncnica até 22 de março, bem como 18 mortes, num universo de cerca de 25 milhões de vacinados na UE, Espaço Económico Europeu e Reino Unido.

A AstraZeneca tem estado envolta em polémica devido ao surgimento de coágulos sanguíneos em vacinados com a sua vacina contra a covid-19, entretanto denominada Vaxzevria, situação que levou alguns países europeus a suspender o seu uso e que só foi ultrapassada depois de a EMA ter garantido, em meados de março, que este era um fármaco seguro e eficaz.

O regulador europeu tem desde então vindo a investigar a relação entre a vacina e os episódios de aparecimento de coágulos sanguíneos e da morte de pessoas inoculadas com a vacina Vaxzevria.

Já na terça-feira, o responsável pela estratégia de vacinação da EMA, Marco Cavaleri, tinha assumido a existência de uma ligação entre a vacina contra a covid-19 da AstraZeneca e os casos de tromboembolismos após a sua administração, numa entrevista ao diário italiano Il Messaggero, declarações que provocaram desconforto na União Europeia.

Antes, no início da semana passada, a EMA publicou uma atualização sobre o fármaco e, além de divulgar a mudança do nome para Vaxzevria, indicou que «foi incluído na informação sobre o produto um aviso sobre eventos de coágulos sanguíneos específicos muito raros».

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