Uso excessivo de óleo de cozinha pode destruir florestas, aponta estudo

A quantidade de biocombustível feito com este produto, que aumenta cerca de 40% a cada ano desde 2014, faz com que que este método não seja sustentável, revela a pesquisa.

Simone Silva

A Europa está a contar com as importações de óleo de cozinha usado, como parte do seu plano de utilização de combustíveis renováveis, mas o uso excessivo deste produto pode contribuir (indiretamente) para aumentar a desflorestação, de acordo com um novo estudo da Transport & Environment, citado pelo ‘Euronews’.

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O óleo de cozinha usado (OCU) é um resíduo derivado de gorduras que são utilizadas para cozinhar ou fritar na indústria de processamento de alimentos, restaurantes, cadeias de fast food e até a nível do consumidor doméstico. O OCU pode ser transformado em diferentes tipos de biocombustíveis usados ​​para geração de energia, transporte ou aquecimento, fornecendo uma alternativa renovável aos combustíveis fósseis.

No entanto, há um obstáculo: A quantidade de biocombustível feito com este produto, que aumenta cerca de 40% a cada ano desde 2014, faz com que que este método não seja sustentável, revela a pesquisa.

Como alternativa, muitos países podem passar a utilizar óleo de palma, o que significa mais desflorestação. «A sede da Europa por óleo de cozinha usado está a ultrapassar a quantidade que sobra nas fritadeiras. Países que usariam OAU podem acabar por substitui-lo por óleos baratos, como óleo de palma», explica Cristina Mestre, gerente de biocombustíveis da Transport & Environment.

A produção de óleo de palma é um dos principais motores da desflorestação no Sudeste Asiático e cada vez mais na América do Sul. As plantações cobrem atualmente mais de 27 milhões de hectares da superfície da Terra.

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«Poucas pessoas percebem que quase metade do óleo de palma importado pela UE é usado como biocombustível. Desde 2009, a mistura obrigatória de biocombustíveis em combustíveis de veículos motorizados tem sido uma das principais causas da desflorestação», revela o estudo.

Para contrariar essa realidade, a empresa responsável pela pesquisa pede aos países da UE que limitem o uso de OAU e melhorem a sua monitorização, para evitar a desflorestação. Enquanto isso, a Europa deve contar mais com outras fontes renováveis.

«A UE não deve depender de um combustível que não pode ser obtido de forma sustentável em quantidades suficientes. O OAU pode contribuir para a descarbonização do transporte, mas não devemos retirá-lo de países que também precisam dele», disse Cristina Mestre, citada pelo ‘Euronews’.

 

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