Uso excessivo de óleo de cozinha pode destruir florestas, aponta estudo

A Europa está a contar com as importações de óleo de cozinha usado, como parte do seu plano de utilização de combustíveis renováveis, mas o uso excessivo deste produto pode contribuir (indiretamente) para aumentar a desflorestação, de acordo com um novo estudo da Transport & Environment, citado pelo ‘Euronews’.

O óleo de cozinha usado (OCU) é um resíduo derivado de gorduras que são utilizadas para cozinhar ou fritar na indústria de processamento de alimentos, restaurantes, cadeias de fast food e até a nível do consumidor doméstico. O OCU pode ser transformado em diferentes tipos de biocombustíveis usados ​​para geração de energia, transporte ou aquecimento, fornecendo uma alternativa renovável aos combustíveis fósseis.

No entanto, há um obstáculo: A quantidade de biocombustível feito com este produto, que aumenta cerca de 40% a cada ano desde 2014, faz com que que este método não seja sustentável, revela a pesquisa.

Como alternativa, muitos países podem passar a utilizar óleo de palma, o que significa mais desflorestação. «A sede da Europa por óleo de cozinha usado está a ultrapassar a quantidade que sobra nas fritadeiras. Países que usariam OAU podem acabar por substitui-lo por óleos baratos, como óleo de palma», explica Cristina Mestre, gerente de biocombustíveis da Transport & Environment.

A produção de óleo de palma é um dos principais motores da desflorestação no Sudeste Asiático e cada vez mais na América do Sul. As plantações cobrem atualmente mais de 27 milhões de hectares da superfície da Terra.

«Poucas pessoas percebem que quase metade do óleo de palma importado pela UE é usado como biocombustível. Desde 2009, a mistura obrigatória de biocombustíveis em combustíveis de veículos motorizados tem sido uma das principais causas da desflorestação», revela o estudo.

Para contrariar essa realidade, a empresa responsável pela pesquisa pede aos países da UE que limitem o uso de OAU e melhorem a sua monitorização, para evitar a desflorestação. Enquanto isso, a Europa deve contar mais com outras fontes renováveis.

«A UE não deve depender de um combustível que não pode ser obtido de forma sustentável em quantidades suficientes. O OAU pode contribuir para a descarbonização do transporte, mas não devemos retirá-lo de países que também precisam dele», disse Cristina Mestre, citada pelo ‘Euronews’.

 

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