O Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, nunca incentivou o uso de máscara como forma de protecção da Covid-19, chegando até a criticar os visitantes do Palácio da Alvorada, dizendo que «máscara é coisa de viado», uma das formas pejorativas de chamar os homossexuais, no Brasil.
O anúncio foi feito pela jornalista Monica Bergamo, na crónica que assina habitualmente no jornal ‘Folha de São Paulo’.
«Os relatos de pessoas que visitaram Jair Bolsonaro depois da explosão da epidemia de Covid-19 no Brasil descrevem momentos de tensão. O presidente recusava-se a usar máscaras, o que induzia convidados a seguir o exemplo. Fazia questão de se aproximar para cumprimentar com um aperto de mão», pode ler-se no artigo escrito pela jornalista.
A informação causou de imediato uma revolta por parte dos brasileiros, que o consideram homofóbico, criando inclusive um hashtags no Twitter: #CoisadeViado. Uma das reacções vem de um outro jornalista do país, Fernando Oliveira: «Tem toda a razão, presidente. Máscara é coisa de viado. De viado inteligente. De viado preocupado com segurança e a saúde do próximo. De viado que não acha que vai ser menos macho por seguir recomendações de saúde».
Mas não foi o único, devido a esta situação, o site brasileiro Huffington Post fez referência a um estudo britânico, cujas conclusões ditam que os homens têm por hábito resistir mais ao uso do equipamento de protecção facial do que as mulheres. Isto porque, segundo a pesquisa, os cidadãos do sexo masculino não estão habituados a lidar com fragilidades ou receios e querem mostrar-se «fortes».
Por último, a youtuber e drag queen Lorelay Fox, pediu que mais «viados partilhem o uso de máscara», para que a situação não seja esquecida e considera que esta é só mais uma das polémicas geradas no país, como tantas outras nas quais Bolsonaro está envolvido.
Recorde-se que o líder brasileiro foi processado pelos jornalistas por ter decido tirar a máscara em público, enquanto anunciava que estava infectado, para mostrar o seu estado «perfeitamente bem». A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) considerou que o responsável «pôs em risco» a vida dos jornalistas que acompanharam.
«Mesmo sabendo que estava infectado com o Covid-19, o presidente Jair Bolsonaro continua a agir criminalmente, colocando em risco a vida de outras pessoas», disse ontem o presidente da ABI, Paulo Jerónimo de Sousa, em comunicado.



