A direção executiva do SNS já tinha anunciado, na semana passada que vai manter até ao final do ano o sistema de encerramentos rotativos das urgências de obstetrícia. “Em função da avaliação positiva que consideramos deste programa, foi consensualizado manter de forma prudente e cautelosa a continuação desta metodologia no interno, com ligeiras alterações e a realizar nova avaliação no final”, indicou Fernando Araújo, diretor executivo do SNS, na Comissão Parlamentar de Saúde. Agora, o organismo já revelou o calendário que irá estar em vigor nos próximos meses, pelo menos até janeiro de 2024.
Olhando ao calendário, já ficam patentes os efeitos das escusas entregues por centenas de médicos relativamente ao cumprimento de mais horas extraordinárias para além das 150 previstas por lei, que agravou a construção das escalas necessárias para manter a funcionar as maternidades de Lisboa e Vale do Tejo e do Algarve, regiões onde a situação está concentrada.
Na Margem Sul do Tejo, só vai haver uma urgência de ginecologia e obstetrícia que se vai manter aberta todo o Inverno, já que a do Barreiro estará encerrada durante toda a semana, de 15 em 15 dias, e a do Garcia de Orta, em Almada, encerrará todos os fins de semana.
Veja aqui os fechos rotativos das maternidades
No total há 10 maternidades com encerramentos rotativos agendados. Nas urgências de pediatria há duas abertas só durante o dia e cinco com “constrangimentos”.
Por outro lado, a urgência de ginecologia e obstetrícia de Loures vai abrir durante o dia à sexta-feira, uma’ boa notícia’ no plano da Direção-Executiva do SNS.
Já no Algarve está apenas garantido o funcionamento de uma das duas urgências de ginecologia-obstetrícia (Faro e Portimão), sem que seja indicado qual o horário.
Fernando Araújo garantiu que com este plano foi “assegurada qualidade e previsibilidade na resposta dada às grávidas”. “A direção executiva do SNS não toma decisões no gabinete, reúne-se com os profissionais e é com base nessas discussões que acaba por elaborar o plano”, garantiu, salientando que “a carência de médicos de ginecologia e obstetrícia não é de agora e não há solução imediata”.
Fernando Araújo indicou que a taxa de retenção dos novos especialistas de ginecologia e obstetrícia, que acabaram a formação na primeira época deste ano no SNS “foi de mais de 80%” mas a falta de profissionais “obriga a um exigente planeamento para garantir a resposta”.














