Universidade Portucalense: Ensino centrado no aluno

A forte dinamização da tecnologia no ensino trouxe também vantagens inegáveis. No caso da Universidade Portucalense, há um aproveitamento da tecnologia para reforçar as fortes ligações que a instituição tem junto do tecido empresarial, e uma intensificação da ligação dos alunos com empresários e gestores a nível mundial. Em entrevista à Executive Digest, Shital Jayantilal, directora do departamento de Economia e Gestão da Universidade Portucalense (UPT), explica os desafios da instituição para o futuro.

Na vossa opinião, esta pandemia mundial veio alterar a forma como se ensina? Quais os principais desafios para o ensino pós-pandemia?

O confinamento, o distanciamento social, a crise económica e até a forma como convivemos… As repercussões desta pandemia fizeram-se sentir a todos os níveis! No entanto, as sociedades, adoptando formas e ritmos variados, acabaram por realizar os ajustamentos indispensáveis. O ensino não foi excepção. Foi necessário passar para um ensino tecnologicamente mediado, possível pelo enorme esforço e empenho por parte dos docentes, e colaboração activa que os alunos deram a todo o processo.

Na UPT, no primeiro confinamento, passámos para o online em menos de 48 horas! Naturalmente, a adaptação e aprendizagem, tem sido um processo dinâmico e contínuo, mas hoje estamos, alunos e docentes, seguramente mais preparados, mais resilientes e mais fortes.

Na UPT, o ensino foi sempre centrado no aluno e foi algo que para nós se manteve como basilar. Não obstante o distanciamento físico, foi possível manter o engagement da comunidade UPT através da realização de webinares, workshops e programa de tutoria e mentoring, entre outras iniciativas. É de esperar que o ensino pós-pandemia, possa regressar ao presencial, que é, na sua essência, insubstituível, mas, parece-me que o sistema híbrido se deverá manter em 2021/22.

A forte dinamização da tecnologia no ensino trouxe também vantagens inegáveis. No caso da UPT, aproveitamos a tecnologia, para reforçar as fortes ligações que temos junto do tecido empresarial, e intensificar a ligação dos alunos com empresários e gestores a nível mundial. A título exemplificativo, no âmbito de um ciclo de webinares centrado na discussão dos desafios/oportunidades do pós- -COVID, intitulado “What’s Next” juntámos gestores de Singapura, Médio Oriente, Europa e Silicon Valley oferecendo uma visão verdadeiramente global.

Na minha opinião, caminhamos para universidades que conjugam o espaço físico com o virtual, e afirmam-se como epicentro da aprendizagem, criatividade e inovação. Esta construção do ensino e da universidade de uma forma mais holística, com o reforço contínuo do trabalho em rede com os diferentes stakeholders (alunos, alumni, docentes, investigadores, empresas, parceiros, entre outros) será essencial para a universidade continuar a construir pontes entre indústrias, países e culturas.

Os professores têm também acelerado a sua adaptação a novos modelos pedagógicos e de aprendizagem?

A UPT distingue-se pela forte ligação que tem com o tecido empresarial e com a preocupação de responder às suas necessidades. Assim, a UPT tem ajustado as suas metodologias e conteúdos para melhor preparar os seus alunos para ultrapassar os desafios que as empresas enfrentam.

Os profissionais que frequentem a formação executiva terão a oportunidade de fortalecer as suas competências técnicas, mas também a sua capacidade de perseverança e resiliência, num ambiente que estimula a criatividade e inovação, na resolução de problemas, cada vez mais complexos, que o mundo empresarial enfrenta.

O nosso corpo docente caracteriza- se pela solidez conceptual, experiência e forte ligação ao mundo empresarial e também por empregar metodologias de ensino-aprendizagem focadas nos alunos. A pandemia permitiu acelerar esse recurso a novos modelos pedagógicos e de aprendizagem centrados na co-criação de conhecimento e competências.

E em relação às soft skills? Houve um reforço destas em alguns dos vossos programas?

A UPT tem como objectivo dotar os alunos com as competências técnicas imprescindíveis para o sucesso nas instituições que lideram, mas também contribuir para reforçar as soft skills. A capacidade de liderança, de comunicação, de motivação, de gestão de conflito e de resiliência, são competências cada vez mais relevantes para ultrapassar os desafios que os profissionais enfrentam.

A UPT tem uma ligação muito próxima com as empresas, e por isso sempre se preocupou em formar gestores numa perspectiva transversal, complementado as hard skills com essas competências pessoais e relacionais. Da formação executiva da UPT, realço o MBA para Gestores de PME. Para estes profissionais poderem responder aos futuros desafios que se irão colocar às nossas empresas, terão que saber liderar e motivar as suas equipas, com a flexibilidade necessária para se adaptarem às mudanças, impulsionado a inovação, no seio de negócios cada vez mais digitalizados. Por esta razão, a componente teórica do MBA, é complementada por uma forte componente prática através de estudos de casos reais, simulações em ambiente empresarial e troca de experiências com outros empresários e líderes. Para além dos conhecimentos técnicos e científicos que os alunos do MBA adquirem, desenvolvem ainda competências interpessoais e relacionais, que são cruciais para o sucesso no mundo altamente competitivo e em constante mutança, em que vivemos. Adicionalmente, a formação executiva da UPT, oferece a oportunidade de cultivar um networking transversal e global.

A experiência de aprendizagem da nossa formação executiva, e do MBA para Gestores de PME, em particular, irá permitir o desenvolvimento dos profissionais em pensadores criativos e críticos, solucionadores de problemas e cidadãos e líderes orientados para a criação de valor nas suas empresas e agentes activos no progresso da nossa sociedade.

Como é que as universidades devem olhar hoje para a questão da sustentabilidade, visto que é muito mais do que o ambiente?

A sustentabilidade é o desafio global mais significativo. Tem, em tempos recentes, ganho mais relevo, quer ao nível da sociedade em geral, quer no seio das instituições de ensino. As exigências impostas, em termos legais, pelo menos em parte, justificam o papel central que este desafio tem tomado. É a crescente preocupação dos diferentes stakeholders em garantir que a criação de valor vá para além da vertente económica e financeira, mas que contemple a criação de valor para os alunos, colaborares, comunidades e sociedade em geral, que realça a abrangência da sustentabilidade. Tal como referido nos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, a sustentabilidade, aborda, para além da vertente ambiental, o equilíbrio com as necessidades económicas e sociais. É, também esta versão holística que consta como um dos objectivos estratégicos na nossa Presidência da União Europeia.

O desenvolvimento sustentável, nas universidades, é impulsionador de uma reflexão, realizada de forma colaborativa em diálogo com a comunidade, na procura e implementação de soluções. As universidades irão se colocar ao serviço da promoção da sustentabilidade, adequando as suas formas de actuação e relacionamento. O ensino será conduzido pela preocupação de dotar os alunos com conhecimento e competências para esse desenvolvimento sustentável.

A abertura, a partilha e a transdisciplinaridade serão cada vez mais relevantes para estimular a inovação numa abordagem diferenciadora que, muitas vezes acontece nas fronteiras de diferentes disciplinas.

O papel social da universidade, defendendo a diversidade e a coesão social, e apoiando a sua comunidade, serão fulcrais para a promoção do desenvolvimento sustentável. A universidade enquanto local de comunhão de diferentes ideias, abordagens e opiniões, e ponto de encontro e partilha de experiências e saberes, de pessoas de diversas origens, irá contribuir para uma sociedade mais diversa, pluralista e mais acolhedora. Neste sentido, as universidades terão um papel importante para atenuar as disparidades sociais agravadas pela pandemia.

Com todas as incertezas, o que estão à espera que seja o resto do ano de 2021?

A pandemia e subsequente crise económica e social continuarão a ter impacto no futuro próximo, sendo de esperar que 21/22 seja (mais) um ano desafiante!

«A satisfação está no esforço e não apenas na realização», Mahatama Gandhi.

Assim sendo, a comunidade UPT irá, sem dúvida, continuar, com o esforço e dedicação de todos, a formar alunos preparados para vencer os desafios, e motivados a contribuir para a melhoria da nossa sociedade.

Este artigo faz parte do Caderno Especial “MBA, Pós-graduações & Formação de Executivos”, publicado na edição de Maio (n.º 182) da Executive Digest.

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